sábado, 31 de maio de 2014

Caesalpinia ferrea - Pau-ferro

 Caesalpinia ferrea - Pau-ferro

  • De origem brasileira o Pau ferro (Caesalpinia ferrea) é uma árvore de grande porte, nativa da Mata Atlântica na encosta pluvial do Atlântico. Diz-se que seu nome provém das faíscas e do ruído metálico produzidos por machados quando se atrevem a cortá-las. A madeira do pau ferro é muito dura, sendo considerada o “ébano”, é uma planta medicinal que recentemente ganhou grande status ao ser comprovada como a grande inimiga das úlceras gástricas. Também chamada de Jucá, essa planta é abundante nos estados brasileiros de Minas Gerais, São Paulo, Ceará e Alagoas, contudo não somente nesses dois estados é possível encontrar o Pau ferro no nordeste. A casca da planta é utilizada na receita de um xarope usado no combate da asma e da bronquite. 
Usar as folhas em infusão é útil para tratar de inflamações hepáticas e também da tuberculose, ainda existe outro tipo de infusão que leva raspas da casca da árvore com as folhas da mangueira, esta promete afastar a gripe. 
O pau-ferro é uma leguminosa nativa do Brasil, notadamente da região Nordeste, onde constitui importante planta forrageira. No entanto, a literatura a seu respeito é escassa. É uma árvore de folhagem miúda, com copa pouco densa, se presta a arborização de ruas, parques e estradas. Suas raízes são febrífugos e antidiarreicas, o fruto tem propriedades béquicas e antidiabéticas. 
  • Contudo todos esses benefícios são meros conhecimentos populares, já que carecem de comprovações científicas.
Os índios Tupis faziam clavos com o limbo destas árvores. É também conhecida como Jucá, Ibira-obi e Iminá-itá (Correa, 1974). Sua casca tem cor acinzentada, é lisa e fina, e se renova anualmente. A sua madeira possui um cerne duro, as flores são amarelas, a vagem bruno-amarelada, e as sementes são escuras e duríssimas (Braga, 1976). 

Propriedades Químicas:
  • Proteína bruta 
  • Cálcio
  • Fósforo 
O nome popular pau-ferro é usado para várias árvores:
  • Astronium graveolens, da Mata Atlântica latifoliada semidecídua
  • Caesalpinia ferrea, da Mata Atlântica pluvial
  • Caesalpinia leiostachya, da Mata Atlântica pluvial
  • Caesalpinia paraguariensis, do pantanal
  • Connarus suberosus, do cerrado
  • Machaerium scleroxylon Tul. - espécie de árvore da família Fabaceae, da Mata Atlântica latifoliada semidecídua.
  • Myracrodruon balansae (Engl.) Santin - espécie de árvore da família Anacardiaceae, nome dado em Rio Grande do Sul, no Brasil.
  • Symplocos martinicensis Jacq. - espécie de árvore da família Symplocaceae, nome dado no Amapá, no Brasil.
  • Zollernia latifolia, da Mata Atlântica pluvial primária

 Caesalpinia ferrea - Pau-ferro

História e curiosidades:
  • A Caesalpinia ferrea é nativa da Mata Atlântica, presente do Sudeste ao Nordeste do Brasil, nas florestas pluviais de encosta Atlântica. A árvore de pau-ferro possui este nome em razão da madeira muito dura e resistente que produz. Uma das características marcantes da árvore pau-ferro é a casca fina do tronco da árvore que constantemente se esfolia, revelando a madeira nova por baixo, predominantemente de cor branca, misturada com tons de verde e marrom. Devido a esta característica, o pau-ferro é também chamado de árvore-leopardo, sendo constantemente confundida com espécies de eucalipto.
O gênero Caesalpinia possui mais de 70 espécies, distribuídas nos trópicos e sub-trópicos. As folhas são alternadas, com folíolos de 4 a 8 pares e flores em racemos ou panículas. Um espécime de pau-ferro adulto pode atingir até 30 metros de altura.

Benefícios do pau-ferro:

O pau-ferro é muito usado no paisagismo e conhecido pelo seu tronco branco e liso. Na medicina popular, as partes utilizadas são suas cascas do tronco e suas folhas, que possuem significativa quantidade de flavonoides e taninos, possivelmente os componentes que conferem ao pau-ferro suas propriedades terapêuticas, contudo, as propriedades medicinais dessas substâncias não foram totalmente elucidadas.
O extrato das folhas do pau-ferro é indicado para úlceras gástricas, sendo tão ou mais ativo que os medicamentos tradicionais para o tratamento da doença, provavelmente por seu efeito antimicrobiano podendo atuar sobre a bactéria causadora Helicobacter pylori. As folhas em infusão também podem tratar inflamações hepáticas e gástricas. Já a casca pode ser utilizada para a preparação de xaropes contra asma e bronquite.

Indicação: 
Chá de Pau-ferro:

É utilizado popularmente para diabetes, diminuindo o volume da urina e sede, como antiinflamatória; para afecção catarral, amídalas, cólica intestinal, disenteria, garganta, gota, hemorragia, reumatismo, sífilis, tosse, hemorróidas, problemas cardíacos, como expectorante, febrífuga, fraqueza geral e afecções pulmonares.

Partes Usadas: 
  • Bagas 
Propriedades medicinais: 
  • Adstringente, 
  • Antidiarréico, 
  • Depurativo, 
  • Sedativo, 
  • Sudorífera, 
  • Tônico 
  • Antimicrobiana 
  • Anti-séptico 
  • Antitussígeno 
  • Cicatrizante 
  • Expectorante 
Indicações: 
  • Diabetes, 
  • Infecções 
  • Bronco-pulmonares, 
  • Infecções intestinais, 
  • Disenterias, 
  • Diarreias, 
  • Cáries, 
  • Gengivite, 
  • Reumatismo, 
  • Sífilis 
Usos tradicionais: 

Afecções pulmonares, cáries, cólica intestinal, diabetes, diarreias, disenterias, gengivite, hemorroidas, infecções bronco-pulmonares, infecções intestinais, reumatismo, sífilis, úlceras.

O Pau ferro e as úlceras gástricas:

Por conhecimento popular, o caule do Pau ferro era bastante usado nos tratamentos contra as úlceras, entretanto nos últimos anos vem sendo estudadas as folhas da planta, que prometem ter o dobro de eficiência. Esse fato não deve descartar por completo os benefícios do caule, pois ele sozinho já foi bastante eficaz no tratamento do problema. Ainda estão sendo realizados estudos para descobrir o composto ou o grupo de substâncias que são responsáveis pelos benefícios da planta, assim como as análises do Pau ferro para saber se ele tem algum efeito tóxico.

Efeitos-colaterais e contra-indicações do pau-ferro:
  • Não foram relatados efeitos colaterais decorrentes do uso nas bibliografias consultadas.
 Caesalpinia ferrea - Pau-ferro

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Bauhinia forficata Link - Pata de vaca

A pata-de-vaca ou árvore orquídea, brazilian orchid-tree (Bauhinia forticata), 
é uma árvore brasileira.

A pata-de-vaca (Bauhinia forficata), também chamada mororó e pé-de-boi , é uma árvore brasileira nativa da Mata Atlântica e de outros biomas, espécie nativa do Sul do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.
  • Pata-de-vaca é o nome pelo qual são conhecidas as Bauhinias em geral (PIO CORRÊA, 1926-1978). A sinonímia científica para Bauhinia forficata Link (Bauhinia candicans Bentham) é referida por ALICE et al. (1995); outros autores referem-se como se fossem duas espécies morfologicamente muito semelhantes (CRUZ, 1979; SIMÕES et al., 1986; BALBACH, 1993; CORRÊA Jr. et al., 1994). Para CORRÊA Jr. et al. (1994), a espécie Bauhinia forficataLink é muito comum no Sul do país, vegetando em matas secundárias e beiras de estrada. 
Etimologia:
  • "Pata-de-vaca" e "pé-de-boi" são uma referência ao formato de suas folhas.
Sinonímias: 
  • Bauhinia candicans Benth., Bauhinia pruinosa Vogel,Bauhinia forficata subsp. pruinosa(Vogel) Fortunato & Wunderlin, Bauhinia forficata var. candicans (Benth.) Hassl. ex Latzina, Pauletia candicans (Benth.) SCHMITZ 
Características botânicas: 

Árvore que chega a 9 m de altura, de ramos frágeis, com acúleos gêmeos na axila foliar. Folhas alternas, compostas de dois folíolos unidos pela base, glabras. Flores axilares ou terminais, brancas. Fruto tipo legume, linear de 15 a 25 cm de comprimento por 2 cm de largura (CORRÊA Jr. et al., 1994).

Flor da árvore conhecida como pata de vaca (Bauhinia forticata). Nativa da Mata Atlântica, possui belas flores e é muito usada como medicamento

Variedades:
Abrange 7 variedades:
  • Bauhinia forficata subsp. forficata 1986
  • Bauhinia forficata var. forticata
  • Bauhinia forficata var. grandifolia Benth. 1870
  • Bauhinia forficata var. latifolia Benth. 1870
  • Bauhinia forficata var. longiflora (Bong.) Benth. 1870
  • Bauhinia forficata var. platypetala (Burch. ex Benth.) Wunderlin 1973
  • Bauhinia forficata subsp. pruinosa (Vogel) Fortunato & Wunderlin 1986
Classificação científica:
  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Magnoliopsida
  • Ordem: Fabales
  • Família: Fabaceae
  • Subfamília: Caesalpinioideae
  • Gênero: Bauhinia
  • Espécie: B. forticata

Nome binomial:
  • Bauhinia forticata
  • Link 1821
Propriedades químicas: 
  • Alguns pesquisadores informaram que esta planta é rica em Cromo, e por isso funciona no tratamento da diabetes, pois este elemento parece estimular o aumento da produção de insulina. Mais recentemente descobriram que esta planta possui uma molécula quase que idêntica à insulina humana, tanto é que foi denominada de insulina vegetal. Isto foi realmente uma grande descoberta, pois mais uma vez a ciência confirma aquilo que a população já conhecia a muito tempo.
Foram identificados do extrato de Bauhinia forficata a isoquercitina, astragolina, flavonóides e, em particular, os quercitósidos, que apresentam ação sobre a permeabilidade capilar (ALMEIDA, 1993). Também esteróis, pinitol, colina e trigonelina das folhas e flores. 
O extrato hidroalcoólico da planta conteria flavonóides, taninos, alcalóides, glicosídios cardiotônicos e mucilagens. 

Partes usadas: 
  • Folhas e cascas.
Uso popular: 
Segundo as comunidades
  • As folhas são usadas na forma de decocto  (Cozido) para problemas renais e reumatismo.
Ações farmacológicas: 
  • É usada tradicionalmente como medicamento, e tem sido objeto de estudos no controle da diabetes. 
  • Estudos científicos comprovaram que contém insulina. 
  • Essa árvore além da beleza de suas folha e flores é pioneira e importante na regeneração de matas degradadas.
Para a trigonelina, foram comprovadas ações hipoglicemiante e hipocolesteremiante (SIMÕES et al., 1986).
A avaliação da atividade hipoglicemiante da Bauhinia forficata Link, em ratos tratados por 45 dias, com chá das folhas desta espécie, demonstrou que o tratamento: 1) reduziu a taxa glicêmica em ratos normais na concentração de 20g/litro); 2) não modificou a glicemia de animais diabéticos, mas reduziu a taxa de mortalidade destes (LIMA et al., 1986).
Pacientes diabéticos recebendo uma dose de 3g/dia de folhas durante 56 dias apresentaram um efeito hipoglicêmico (GUPTA, 1995). 
Foram constatados efeitos diuréticos, antiedematogênico e analgésico (LUZ et al., 1996).
mostrou ter potencial como anti-oxidante 
um estudo clinico em pessoas normais e diabetes tipo II não mostrou atividade hipoglicemiante(RUSSO 1990)

Interações medicamentosas: 
  • Não há relatos , devemos ter cautela no uso concomitante com hipoglicemiantes orais.
Efeitos adversos e/ou tóxicos: 
  • Não existem relatos de intoxicação pela Bauhinia forficata na bibliografia consultada. O extrato bruto, administrado por via intraperitoneal, apresentou dose letal 50 de 2,85 g/kg, mas não apresentou toxicidade por via oral até 5 g/Kg (LUZ et al., 1996).O infuso apresentou atividade mutagênica em presença de sistema de ativação metabólica (2,7 vezes com 355 mg/placa) (SUGAI, 1996).
Contra-indicações: 
  • Não há relatos
Posologia e modo de uso: 
  • O uso popular indica a infusão na dose de uma colher de chá de folhas em uma xícara, tomar até 3 xícaras ao dia.
Importante:
  • Para esta planta existe a necessidade de mais estudos para comprovar ações hipoglicemiantes e efeitos no uso de longos períodos.
  • Existem outras espécies de pata de vaca usadas como medicinais Bauhinia cheilanthaBong)Steud , Bauhinia ungulata L.
Segundo a literatura:

Tanto as cascas quanto as folhas (decocção ou infusão) são usadas como hipoglicemiante (CRUZ, 1979; BALBACH, 1993; ALICE et al., 1995), nas afecções renais, como diurético (CRUZ, 1979; ALICE et al., 1995), adstringente (casca) (BRAGA, 1960) e hipocolesteremiante (ALICE et al., 1995).
  • O decocto das folhas é usado também pra picadas de cobras (ALMEIDA, 1993). 
Isto justificaria o uso de plantas medicinais ou fitoterápicos como medicamentos 
muito seguros, incapazes de produzir reações adversas. Mas não é bem assim.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Baccharis trimera - Chá de carqueja

Baccharis trimera - Carqueja
  • A carqueja é um exemplo de erva com efeito termogênico, que acelera o metabolismo e, consequentemente, a queima de gorduras. Além disso, o efeito diurético proporcionado pela planta, faz com seja uma ótima opção de chá emagrecedor.
A carqueja (Baccharis trimera (Less) DC; Asteraceae) também conhecida como carqueja-amarga, carqueja-amargosa, carqueja-do-mato, carquejinha, condamina ou iguape, é uma planta ideal para canteiros de jardins, pois cresce formando tufos espessos. é uma planta medicinal de sabor amargo que pode ser utilizada no combate a diversas doenças. Algumas de suas propriedades medicinais são o combate a diabetes, anemia, inflamações das vias urinárias, baço, bexiga e rins, veja mais detalhes abaixo.
  • Sinônimo botânico: Baccharis genisteiloides var. trimera (Less.) Baker., Baccharis trimera Person, (=Molina trimera Less.).
A carqueja é uma erva tipicamente brasileira, amplamente utilizada para fins medicinais. Além de combater desordens hepáticas e estomacais, o chá de carqueja pode ser um grande aliado das dietas saudáveis e naturais.
Os benefícios do chá de carqueja são consequência da grande presença de flavonoides em sua composição. Essa substância é altamente benéfica à saúde humana, pois conta com ação anti-inflamatória, anti-hemorrágica, anti-alérgica, e ainda protege as células contra o desenvolvimento de doenças, como o câncer. A erva medicinal ainda é altamente diurética e auxilia na cura de problemas como diabetes, pressão alta, desordens hepáticas, ásia e má digestão.

Classificação científica:
  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Magnoliopsida
  • Ordem: Asterales
  • Família: Asteraceae
  • Gênero: Baccharis
  • Espécie: B. trimera
Nome binomial
  • Baccharis trimera
  • (Less.) DC.

A Planta

Propriedades  Químicas: 

Segundo a EPAGRI: alfa e beta-pineno, álcoois sesquiterpênicos, ésteres terpênicos, flavonas, flavanonas, saponinas, flavonóides, fenólicos, lactonas sesquiterpênicas e tricotecenos, alcalóides. 
Compostos específicos: apigenina, dilactonas A, B e C, diterpeno do tipo eupatorina, germacreno-D, hispidulina, luteolina, nepetina e quercetina. O óleo essencial contém monoterpenos (nopineno, carquejol e acetato de carquejilo). Segundo a BIONATUS: flavonóides (apigenina, cirsiliol, cirsimantina, eriodictiol, eupatrina e genkawanina), sesquiterpenos, diterpenos, lignanos, alfa e beta pinenos, canfeno, carquejol, acetato de carquejila, ledol, alcóois sesquiterpênicos, sesquiterpenos bi e tricíclicos, calameno, elemol, eudesmol, palustrol, nerotidol, hispidulina, campferol, quercetina e esqualeno.

Propriedades medicinais:
amarga, antianêmica, antiasmática, antibiótica, antidiarréica, antidiabétíca, antidispéptica, antigripal, anti-hidrópica, antiinflamatória, anti-reumática, anti-Trypanosoma Cruzi (causador da moléstia de Chagas), aperiente, aromática, colagoga, depurativa, digestivo, diurético, emoliente, eupéptica, estimulante hepática, estomáquica, febrífuga, hepática, hepato-protetor, hipocolesterolêmica, hipoglicêmica, laxante, moluscocida (contra Biomplalaria glabrata, hospedeiro intermediário do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose), sudorífica, tenífuga, tônico, vermífuga. 

Indicações: 

Afecções febris,  anemia, afta, amigdalite, anorexia, afecções gástricas, intestinais, das vias urinárias, hepáticas e biliares (ictérícia, cálculos biliares, etc.); , anemia, angina, asma, astenia, azia,bronquite, bronquite asmática, chagas venéreas, coadjuvante em regimes de emagrecimento, colesterol (redução de 5 a 10%.), desintoxicação do fígado, diabetes, doenças hepáticas, doenças do pâncreas e baço, diarréias, dispepsias; doenças venéreas; enfermidades da bexiga, do fígado, dos rins, do pâncreas e do baço; espasmo, esterilidade feminina, estomatite, faringite,  febre, feridas, fraqueza intestinal, garganta, gastrite, gastroenterites, gengivite,gripe, gota, hidropisia, impotência sexual masculina, inflamações de garganta, inflamação das vias urinárias, intestino solto, lepra, má-digestão, mal estar, má-circulação do sangue, obesidade, prisão de ventre, reumatismo, úlceras (uso externo), vermes intestinais. 

Modo de uso da carqueja:
  • Chá: Para cada meio litro de água fervente acrescente 10 gramas da erva. Tomar 3 xícaras por dia.

Folhas desidratadas de carqueja-para a produção do chá

Na culinária: 
  • Na preparação de carnes gordas acrescente flores de carqueja ou mesmo as Hastes juntamente ao preparado do tempero.
Efeitos colaterais da carqueja:

Quando consumida em excesso pode baixar os glóbulos brancos e por isso a imunidade, deixando o indivíduo susceptível à doenças. Pode ainda causa hipotensão e por isso não deve ser utilizada ao mesmo tempo que medicamentos para hipertensão ou diabetes.

Contraindicações da carqueja:
  • Gravidez e lactação.

Chá de carqueja

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Artemisia absinthium - Absinto - Losna.

Artemisia absinthium - Absinto - Losna

Conhecida como losna ou absinto, a "Artemisia absinthium L." apresenta substâncias poderosas que tanto podem curar como intoxicar. Conheça melhor esta planta antes de usá-la.
  • Quem já provou um chá de losna conhece a principal característica desta planta: o sabor amargo. E dizem que essa característica foi até citada num provérbio de Salomão que teria declarado: "a infidelidade, ainda que possa ser excitante e doce no seu início, costuma ter um fim amargo como a losna".
Na Grécia Antiga esta planta era dedicada à Ártemis, deusa da fecundidade e da caça. Daí a origem de seu nome científico. Popularmente, a losna também é conhecida como absinto, erva-do-fel, alenjo, erva-de-santa-margarida, sintro e erva-dos-vermes. As propriedades aperitivas (estimulante do apetite), vermífugas e estomacais explicam o uso da planta no preparo do vermute e do licor de absinto, entretanto, vale lembrar que a presença de uma substância tóxica - a tuinona - pode produzir efeitos altamente perigosos. Em doses elevadas, os chás e outros preparados a partir desta planta podem provocar tremores, convulsões, tonturas e até delírios. No século XIX, registrou-se vários casos de intoxicações e até mortes provocadas pelo uso de um licor obtido pela maceração do absinto em álcool. Na maior parte das vezes, o licor de absinto era usado como alucinógeno e não com finalidades medicinais.
  • A planta do absinto (Artemisia absinthium) é usada há séculos como repelente de traças, pesticida em geral, e como chá ou borrifador para repelir lesmas e caracóis. Antes da sua toxicidade ser conhecida, era utilizada em remédios para pessoas e animais.
Podes já ter ouvido falar da bebida alcoólica com o mesmo nome (absinto), a qual é verde e ilegal em muitos países. A bebida de absinto tem história na Europa ocidental e na França em particular; era usada como estimulante sobretudo por artistas, por exemplo pelo pintor Vincent van Gogh. A história conta que este estava embriagado com absinto quando cortou a orelha.

História:

O nome desta planta ocorre em muitas escrituras antigas egípcias, romanas e cristãs. É por vezes chamada de “veneno”, e outras de “erva de valor medicinal”. O seu nome latino, Artemisa absinthium, foi-lhe dado em honra de Artemis, a deusa da caça da mitologia grega.
  • As intensas qualidades amargas, tônicas e estimulantes tornaram a planta do absinto não apenas um ingrediente para preparações medicinais tradicionais, mas também de vários licores, dos quais o absinto é o mais popular. A base da bebida de absinto é o absintol, um líquido extraído da planta do absinto. O licor de absinto tem também o nome de vermute – preservador da mente – devido às suas virtudes medicinais como tônico para os nervos e restaurador da mente. É cerca de duas vezes mais forte que qualquer outra bebida espirituosa (contém mais de dois terços de álcool). A erva de absinto contida na bebida dá-lhe a sua cor verde e o característico sabor amargo, e a tujona, uma erva alucinógena da mesma família dos ingredientes ativos da Cannabis. Não admira que se dissesse que a bebida levava as pessoas à loucura e que esta fosse proibida em muitos países no princípio do século. A bebida de absinto de potência inferior é normalmente adulterada com cobre, o qual produz a característica cor verde.
O licor de absinto era muito apreciado por famosos poetas e artistas como Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire e Toulouse-Lautrec, entre outros. Ao que tudo indica, aquele destilado de ervas cor verde-esmeralda, também chamado de "fada verde", seria o responsável pelo comportamento bizarro de Van Gogh. E, recentemente, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, identificaram nas substâncias presentes nos destilados preparados com losna ou absinto, propriedades capazes de causar convulsões, alucinações, surtos psicóticos; dependendo da dosagem. Além disso, os estudos demonstraram que o uso crônico pode provocar danos neurológicos permanentes.
  • A combinação entre a dosagem de álcool e as substâncias presentes nesta planta pode ser perigosa e, por essa razão, a maioria dos especialistas costuma recomendar o uso da losna ou absinto na forma de infusão (no máximo duas xícaras de chá ao dia) e evitar a extração do sumo por maceração.
Planta pertencente à família das Compostas, originária da Europa, a losna (Artemisia absinthium L.) é uma planta herbácea, perene (cultivada muitas vezes como anual), que alcança de 1 a 1,20 m. de altura. Produz folhas recortadas, de coloração verde-acinzentada e flores amarelas, bem miúdas e reunidas em pequenos cachos. Em algumas regiões do Brasil a floração da planta é difícil, principalmente em locais muito quentes ou com sol intenso; por isso, para finalidades medicinais costuma-se utilizar mais as folhas do que as flores.
  • Também é muito importante lembrar que a losna ou absinto (Artemisia absinthium L.) não deve ser confundida com outra planta muito conhecida: o abrótano (Artemisia abrotanum L.) que apresenta folhas mais finas e sabor agradável.

  • Vincent van Gogh, famoso por quadros como 'A Noite Estrelada' e 'A Cadeira de Van Gogh', sofria de transtornos mentais. Além disso, de tanto beber absinto, ele adquiriu uma lesão no cérebro que causava ataques epilépticos. Certa vez, devido a uma crise, decepou sua própria orelha esquerda. Alguns autores afirmam que ele poderia ter transtorno...
Propriedades Químicas:

O óleo essencial extraído, cerca de 0,5 a 1% do peso das folhas frescas, parece ser fortemente influenciado pelas condições atmosféricas. Alguns constituintes voláteis do óleo incluem: tujona, felandrena, álcool de tujil, cadinena, e azulena. O princípio amargo na planta do absinto provém da absitina e da anabsintina. A tujona também mostra uma estrutura molecular semelhante à do THC.

Efeitos:
  • A planta do absinto é um estimulante psíquico. O seu efeito é narcótico, ligeiramente anestésico, dando uma sensação de paz e relaxamento. Misturada com álcool ou em doses mais altas pode causar alucinações. A planta do absinto é própria para preparar um chá, o qual tem um efeito positivo nos períodos pós-gripe ou pós-infeciosos. Também aumenta o apetite.
Uso medicinal:
  • A planta do absinto também é usada para melhorar a circulação sanguínea, como estimulante cardíaco, para alívio das dores de parto nas mulheres, e como agente contra tumores e cancros. Os remédios populares usam a planta do absinto contra constipações, reumatismo, febres, icterícia, diabetes, e artrite. Para além disso, a planta do absinto é um tônico para os nervos, sobretudo para a epilepsia e a flatulência. É um bom remédio digestivo e contra a fraqueza.

Molécula da Tujona

Botânica:

As três variedades de absinto mais usadas são o absinto-comum (Artemisia vulgaris), o santonico (Artemisia maritima), e o absinto-romano (Artemisia pôntica)) – vê a imagem. Cada planta tem as suas virtudes próprias. A planta do absinto-comum é a mais potente, a do santonico a mais amarga, e a do absinto-romano – que se encontra nos jardins botânicos, enquanto que as duas primeiras são plantas bravas – tem um sabor muito aromático e pouco amargo.
  1. O absinto-comum cresce nas bermas das estradas e nas lixeiras, e encontra-se em grande parte da Europa e na Sibéria, tendo sido anteriormente muito cultivado devido às suas qualidades. No Reino Unido parece crescer verdadeiramente em estado selvagem perto do mar e em muitas localidades da Inglaterra e da Escócia.
  2. A planta do absinto-romano é a mais delicada e menos forte; o seu sabor aromático misturado com a amargura faz com que seja empregue na preparação do licor de vermute.Medicinalmente usam-se as copas frescas, e também toda a planta seca. Nicholas Culpeper, físico e farmacêutico britânico do século 17, considerava o absinto-romano “um excelente tônico para o estômago”, e “o sumo das copas frescas bom para as obstruções do fígado e do baço. Uma infusão das copas floridas ajuda a digestão. Uma tintura é boa contra as pedras e alivia a podagra”.
  3. A planta do santonico tem as mesmas propriedades que as outras plantas, mas é menos potente. É um tônico amargo e aromático.
  • O absinto está disponível em folhas, raiz e óleo. O óleo é extraído das folhas e usado como óleo essencial em perfumes e para o tratamento de doenças da pele. Contém 60% de tujona e deve ser usado com cuidado. O álcool liberta o óleo das folhas e assim se extrai o absintol. Para fins medicinais usam-se tanto a raiz como as outras partes da planta.
A planta do absinto é membro das família das Composita e e pertence ao gênero Artemisia, um grupo que consiste de 180 espécies. Normalmente é um arbusto perene bastante grande, de caule cinzento com uma fina penugem, que cresce até metro e meio. As folhas são cinzentas. As flores amarelas crescem em pequenos grupos nas extremidades superiores dos ramos, de Julho a Setembro.
  • Toda as plantas desta família têm um sabor extremamente amargo (e todas as partes das plantas podem ser usadas para fins medicinais), embora as raízes tenham um sabor um pouco mais aromático.
A losna se propaga por meio de sementes, por divisão de touceiras ou por estaquia. O solo ideal para o cultivo deve ser argilo-arenoso, fértil e profundo. Para o plantio em vasos ou jardineiras, é essencial garantir uma profundidade de 30 cm, mais ou menos. A planta é muito resistente a doenças, raramente é atacada por insetos, porém, é essencial a retirada de ervas daninhas que podem prejudicar o seu desenvolvimento. Recomenda-se cautela com a aplicação de adubos ou fertilizantes (naturais ou químicos), pois o excesso pode prejudicar o aroma da losna. A adição de composto orgânico em doses controladas favorece o cultivo.
  • Se a finalidade da colheita for as folhas, deve-se retirá-las aos primeiros sinais da formação dos futuros órgãos de reprodução, para evitar a perda dos princípios ativos. Caso a finalidade seja obter as flores, a colheita deve ser realizada assim que estas começam a se formar, pois a planta permanece florida por cerca de sete dias e, após esse período, as flores se tornam muito sensíveis, desmanchando-se e caindo com facilidade. Para melhor conservação, a losna pode ser armazenada seca: coloque as folhas e flores estendidas em local ventilado, longe da exposição aos raios solares e depois guarde em caixas de madeira, de preferência.
Cultivo:

A planta do absinto pode ser facilmente cultivada a partir da semente. Espalha as sementes na superfície da terra. Quando germinarem e após a época dos orvalhos transplante-as para o ar livre. Planta os rebentos com uma distância de 1 a 2 metros uns dos outros. A planta do absinto cresce mesmo em terras pobres com sol por inteiro a sombra parcial. A monda faz-se no outono, com a exceção do abrótano (Artemisia abrotanum), o qual é cortado na primavera ou no verão. Requer sol por inteiro e terra seca bem drenada. Algumas espécies tornam-se dormentes no calor do verão e germinam novamente quando as temperaturas mais frescas retornam. Não plantes absintos perto de anis, feijões, cominho, erva-doce, ervilhas e salva. As plantas crescem até aos 2 metros de altura.


A planta
Usos e cuidados:
  • Os componentes responsáveis pelo uso medicinal da losna ou absinto são: um óleo essencial (vermífugo e emenagogo), absintina (responsável pelo sabor amargo), resinas, tanino, ácidos e nitratos. Como planta digestiva e aperitiva, sua ação se dá pelo estímulo à salivação e à produção de sucos gástricos e, por essa mesma razão, não é recomendada para pessoas que apresentam problemas como úlceras e gastrite.
Usada corretamente e sem excessos, a infusão da losna pode aumentar a secreção biliar, favorecendo o funcionamento do fígado e, ingerida meia hora antes da refeição, pode agir como estimulante do apetite e auxiliar da digestão.

  • Quanto aos cuidados, não é recomendável o uso por mulheres grávidas e crianças. Além disso, a maceração da planta com álcool, segundo alguns estudos já realizados, apresenta graves perigos, podendo provocar dependência, alucinações e convulsões.
Curiosidades: A palavra "vermute" tem tudo a ver com a losna: significa "warmwurz", ou seja, "raiz quente" e é o nome da losna em alemão. Já em grego, a palavra losna significaria "privado de doçura". A medicina popular desaconselha o uso da losna por mulheres em fase de amamentação, pois a planta "torna o leite amargo".
  • O absinto é famoso desde tempos muito antigos, pelas suas virtudes medicinais, sendo inclusive citado num papiro egípcio que data de 1.600 a.C.
Avisos:
  • A planta do absinto é venenosa. O uso intenso e prolongado pode causar habituação, declínio físico e nervosismo e cãibras. Doses altas podem causar dores de cabeça e tonturas. Doses mais altas são psicoativas e têm um efeito paralizante. Os efeitos de intoxicação devido à superdose podem causar perda da consciência, coma e morte. Após preparares o licor de absinto toma um copo pequeno e espera cerca de uma hora para testares os efeitos. Tenta novamente noutra oportunidade. É melhor doseares a menos do que a mais, para não correres o risco de te envenenares ou de adoeceres. Não conduzas veículos motorizados sob a influência do licor de absinto.
Contra-indicações:

O uso regular da planta do absinto pode tornar-se viciante. A planta contém glicósidos venenosos, e o seu óleo volátil deprime o sistema nervoso central. O uso prolongado (por mais de quatro semanas) ou o uso de doses maiores que as recomendadas pode causar náuseas, vômitos, insônias, nervosismo, termores e ataques epiléticos. O uso excessivo da planta do absinto pode causar nervosismo, estupor, convulsões, e morte. A planta do absinto é alergênica e pode causar dermatite por contacto.
  • O uso curto (duas a quatro semanas) de uma chá de absinto não resultou em quaisquer relatórios de efeitos secundários significativos.

Chá de losna

terça-feira, 27 de maio de 2014

Ananas comosus - Abacaxi

Ananas comosus - Abacaxi

Ananás ou abacaxi é uma planta monocotiledônea da família das bromeliáceas, subfamília Bromeliaceae É um autêntico "fruto" símbolo das das regiões tropicais e subtropicais. Os abacaxizeiros cultivados pertencem à espécie Ananas comosus, que compreende muitas variedades frutíferas. Há também várias espécies selvagens, pertencentes ao mesmo gênero e grupo. O fruto, quando maduro, tem o sabor bastante ácido e muitas vezes adocicado.

  • O Hawaii produz mais de cinco toneladas de abacaxi por ano, além da Austrália, Inglaterra, México, Cuba e Índias ocidentais; onde também e cultivado.
Classificação científica:
  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Liliopsida
  • Subclasse: Commelinidae
  • Ordem: Poales
  • Família: Bromeliaceae
  • Subfamília: Bromelioideae
  • Gênero: Ananas
Etimologia:

  • O termo abacaxi (em português) é, com forte probabilidade, oriundo do tupi ibacati, ‘bodum ou fedor de fruto’, ‘fruto fedorento’ (ibá, ‘fruto’, cati, ‘recender ou cheirar fortemente’), documentado já no início do séc. XIX.
O termo ananás (em português e espanhol) é do guarani naná, e documentado em português na primeira metade do séc. XVI e em espanhol na segunda (1578), em que é empréstimo do português do Brasil ou da sua língua geral. O termo abacaxi também é um termo ameríndio.

  • O abacaxi é um fruto-símbolo de regiões tropicais e subtropicais, de grande aceitação em todo o mundo, quer ao natural, quer industrializado: agrada aos olhos, ao paladar e ao olfato. Por essas razões e por ter uma "coroa" , cabe-lhe por vezes o cognome de "rei dos frutos", que lhe foi dado, logo após seu descobrimento, pelos portugueses.
Na linguagem corrente do Brasil tal como em Angola, costuma-se designar por ananás os frutos de plantas não cultivadas ou de variedades menos conhecidas ou de qualidade inferior. Por sua vez, a palavra abacaxi costuma ser empregada não apenas para designar o fruto de melhor qualidade, mas a própria planta que o produz.

  • Na gíria brasileira, abacaxi significa 'algo que não dá bom resultado, coisa embrulhada ou que não presta'. Este fato provavelmente se deve a seu visual espinhoso e ressequido, bem como a dificuldade para descascá-lo sem se ferir com suas farpas, presentes tanto na "coroa" quanto na própria casca. Descascar o abacaxi, uma extensão da mesma gíria, significa resolver um problema difícil.
Uso medicinal:

  • O abacaxi contém muito mineral como o cobre, que pode acabar com as dores, principalmente de cabeça. O Dr. James G. Penland, PhD. psicólogo do Departamento Norte Americano de Agricultura, após vários estudos com homens e mulheres com dores de cabeça, constatou uma melhora sensível com a aplicação do cobre na alimentação de seus pacientes.
O abacaxi ajuda a dissolver coágulos sanguíneos, a reduzir inflamações, a acelerar a cicatrização de tecidos e na digestão. Além disso é antiviral, antibacteriano e um bom alimento para prevenir a osteoporose e as fraturas ósseas, devido ao seu alto teor de manganês.

  • Contém ferro, que se encontra no fígado, ossos e medula óssea. Contém manganês que mantém os ossos fortes. A professora de Nutrição da Universidade do Texas, em Austin nos Estados Unidos, Jeanne F. Graves, aconselha as pessoas, sobretudo as mulheres, a comer abacaxi ou a tomar do seu suco, pois a fruta é rica em manganês. Este mineral está envolvido no metabolismo ósseo, sem ele as pessoas podem desenvolver osteoporose intensa.
Contém cálcio, vital para a formação dos ossos e dentes, o mineral mais conhecido na prevenção da osteoporose e a coagulação do sangue. Segundo o Dr. Cedric Garlanda, diretor do Centro de Câncer da Universidade da Califórnia em San Diego, homens que consumiram diariamente certa quantidade de cálcio nos alimentos diariamente durante mais de duas décadas tinham 1/3 da propensão ao desenvolvimento de câncer de cólon em relação aos outros que não o consumiram, pois o cálcio suprime a proliferação de células superficiais da parede interna do cólon, prevenindo o rápido crescimento do câncer.
  • Contém fósforo, que se encontra no corpo dos animais na mesma quantidade aproximadamente que o cálcio, é parte importante dos tecidos cerebrais.
  • Contém iodo, necessário ao organismo para abastecer a glândula tireóide.
Seu alto teor de fibras ajuda na prisão de ventre, pois age como laxativo suave e natural. Possui também as vitaminas A e C, que aumentam a imunidade.
  • A Vitamina A é essencial contra doenças de pele, infecções infantis e distúrbios digestivos. É ótima aliada no tratamento de colite e doença de Crohn. Um estudo de Harvard mostra que homens que consomem altas doses de vitamina A têm risco 54% menor de ter úlcera do que aqueles com nível mais baixo. A recomendação diária é de cinco mil UI. Impede que o colesterol se torne tóxico, além de ser um importante antídoto contra derrame.
  • A Vitamina C é importante para o corpo celular e para os vasos sanguíneos, combate as infecções e é essencial para a boa saúde dos dentes, das gengivas e dos ossos.
Mais a maior virtude dessa fruta está na quantidade de bromelina, extraída do talo do abacaxi, enzima capaz de degradar materiais albuminóides (proteínas solúveis em água) em proteases ou peptonas, dissolver gorduras, principalmente as das carnes, sendo empregada também para amaciá-las, para clarificar cerveja e como droga antiinflamatória.
  • A bromelina é encontrada no fruto, no miolo do abacaxi, onde se concentra a maior quantidade de bromelina, ou mesmo na parte central da fatia (parte dura), que muita gente retira na hora de saborear a fruta. A enzima bromelina age em nosso organismo desempenhando três funções:
  • Tem ação mucolítica, dissolvendo o muco ou catarro dos pulmões, favorecendo uma limpeza geral, como se fosse passada uma esponja, facilitando a expectoração, além de ajudar no trânsito intestinal;
  • É anti-inflamatória, ajudando a desobstruir a circulação, principalmente se houver edema provocado por batida em algum acidente;
  • É digestiva, sua principal virtude. Age no estômago, pois a bromelina é a enzima que desdobra as proteínas alimentares, facilitando o melhor aproveitamento dos nutrientes, favorecendo e acelerando a digestão pesada.Indicação como diurético e para tosse 
  • O suco de abacaxi é um excelente diurético, pois sua polpa é constituída de 93% de água e é laxante suave. E para quem sofre de tosses rebeldes, experimente bater num liquidificador 2 fatias de abacaxi com 2 colheres de sopa de mel. Tomar 2 colheres de chá a cada duas horas. Não há tosse que resista.
Outras indicações: doenças circulatórias, artrite, ácido úrico:

Não são apenas esses os efeitos benéficos desta fruta. Na terra do Tio San, o nosso abacaxi (hoje “naturalizado” americano) é indicado pelos médicos para as pessoas que sofrem de doenças circulatórias, pois tem a ação de “quebrar” nas artérias as placas de fibrinas, que são as proteínas que formam a parte essencial dos coágulos sanguíneos.
  • Como tem propriedades antiinflamatórias, combate a artrite, que se caracteriza por inflamação ou dor nas juntas, joelhos, cotovelos e dedos.
Histórico:

O abacaxi já era cultivado pelos indígenas em extensas regiões do Novo Mundo, antes do descobrimento. Origina-se da América tropical e subtropical, ao que parece na região centro-sul do Brasil, nordeste da Argentina e o Paraguai. Contudo, estudos recentes a partir da coleta de germoplasmas no Brasil, Venezuela e Guiana Francesa, indicam um centro de origem ao norte do Rio Amazonas, desta maneira diversos pesquisadores tem proposto um centro de origem e domesticação dos abacaxis nas bacias do Rio Negro e Rio Orinoco .

  • Em 4 de novembro de 1493, Colombo e seus marinheiros descobriram o abacaxizeiro em Guadalupe, nas Pequenas Antilhas, promovendo a partir deste momento sua disseminação pelo mundo, tornando-o uma das infrutescências mais apreciadas pelo globo.

Abacaxizeiro com fruto maduro.

Características:

O abacaxizeiro é planta semi-perene, que alcança um metro de altura. Primeiro produz um único fruto, situado no ápice; depois, com a ramificação lateral do talo, aparecem outros frutos, de modo que a fase produtiva pode prolongar-se por vários anos. Quando adulto, é constituído de raízes, talo (caule), folhas, frutos e mudas. O sistema radicular, do tipo fasciculado, é superficial, pois a maior parte das raízes fica nos primeiros 15 cm de solo. O talo apresenta o formato de uma clava, relativamente curta e grossa. As folhas têm forma de calha, com espinhos e estão inseridas no talo, formando uma densa espiral dextrogira e levogira.

  • A inflorescência é uma espiga, formada de flores completas, cada uma localizada na axila de uma bráctea. O fruto é composto, do tipo sorose, e resulta da coalescência de um grande número de frutos simples (100 a 200), do tipo baga, denominados frutilhos, os quais estão inseridos num eixo central, coração ou miolo, em disposição espiralada e intimamente soldados uns aos outros. No ápice do fruto existe um tufo de folhas – a coroa – resultante do tecido meristemático apical que a planta possui desde a sua origem. A conexão do fruto com o talo da planta é feita através de um pedúnculo.
  • A casca do abacaxi é formada pela reunião das brácteas e sépalas das flores. Logo abaixo da casca, inseridos na periferia de depressões em forma de taça, podem ser encontrados restos de pétalas e de estames, enquanto de cada uma dessas depressões aparece um vestígio de estilete. Na superfície de um fruto descascado de um modo pouco profundo, os restos de estiletes dão ideia de espinhos. Por outro lado, quando o descascamento é feito de modo mais profundo, a superfície mostra-se toda perfurada, por ficarem expostas as lojas ou lóculos dos ovários dos frutilhos. Dentro de tais lojas, em se tratando de fruto de variedade cultivada, geralmente são encontrados apenas óvulos abortados, pois a formação de sementes é rara, por serem as flores autoincompatíveis. Todavia, por meio de polinização manual com pólen de outra variedade, não é rara a produção de duas mil a três mil sementes por fruto.
A parte comestível do abacaxi é a polpa, suculenta, formada pelas paredes das lojas dos frutilhos e pelo tecido parenquimatoso que os une, bem como pela porção externa ou casca do coração. De acordo com a parte da planta em que são produzidas, as mudas do abacaxizeiro são classificadas em quatro tipos:
  • Coroa – muda do ápice do fruto;
  • Filhote – muda do pedúnculo;
  • Filhote-rebentão – muda da região de inserção do pedúnculo com o talo da planta;
  • Rebentão – muda do talo da planta.
O abacaxizeiro é uma planta muito sensível ao frio, mas resiste bem às secas. Embora seja planta tropical, nos dias de sol muito intenso, os frutos podem sofrer queimaduras, quando não são protegidos. Pode ser cultivado em qualquer tipo de solo, desde que seja permeável, isto é, não sujeito ao encharcamento; prefere, porém, solos leves, ricos em elementos nutritivos e com pH entre 4,5 e 5,5, ainda que tolere aqueles de pH mais baixo. É bastante exigente em nutrientes.

  • Geralmente, o florescimento natural do abacaxizeiro ocorre no inverno, por ser planta de dias curtos, ou seja, com a diminuição do fotoperíodo e ou redução da temperatura, a gema apical é induzida a produzir uma inflorescência ao invés de emitir folhas. O comprimento do ciclo natural pode variar de 10 a 36 meses, pois, além de condições climáticas, depende da época de plantio, do tipo e do peso das mudas utilizadas, e também das práticas culturais adotadas.
Cultura:

A principal variedade cultivada no mundo até a década de 90 é a Cayenne (ou Smooth Cayenne). Dá fruto de polpa amarelo-pálida ou amarela, rica em ácidos e açúcares, e a planta tem folhas com poucos espinhos, que se localizam apenas na base e no ápice. No Brasil, a variedade mais plantada é a Pérola (conhecida no exterior como do grupo Pernambuco), que produz fruto de polpa amarelo-pálida, quase branca, de sabor bastante doce e de baixa acidez; as folhas têm as margens armadas de espinhos.
  • O abacaxi é considerado o símbolo da hospitalidade. Para os povos antigos, colocar um abacaxi do lado de fora das casas é sinal de que visitantes são bem vindos.
A cultura racional do abacaxizeiro, apesar de muito rentável, exige bastante técnica e trato. Sua propagação é feita por mudas e são exploradas uma ou duas safras. Muito útil é o fato de que a época de produção dos frutos pode ser controlada artificialmente, mediante emprego de substâncias químicas, tais como o carbureto de cálcio e o etephon. Culturas altamente tecnificadas podem dar, em cada safra, de sessenta a oitenta toneladas de fruto por hectare. Na verdade, porém, a produção de um abacaxizeiro depende de diversos fatores: clima e solo; época de plantio e de colheita; idade da plantação; variedade; tipo e tamanho da muda plantada; espaçamento de plantio; tratos culturais; adubação; estado fitossanitário.

  • Modernamente, o plantio é feito pelo sistema de linhas duplas e na base de 45 a 60 mil plantas por hectare. Nos países de abacaxicultura avançada, usam-se máquinas que, simultaneamente, são capazes de incorporar pesticidas e fertilizantes ao solo e, sobre ele, distribuir faixas de tecido negro de polietileno, em cima das quais é feito o plantio das mudas; além disso, são empregados pulverizadores capacitados para distribuir, ao mesmo tempo, pesticidas e fertilizantes sobre diversas linhas de plantação, assim como máquinas que possibilitam a colheita de até 12 toneladas de abacaxi por hora.

Plantação do abacaxi.

Moléstias e pragas:

  • No Brasil, as principais pragas do abacaxi são a broca-do-fruto (Thecla basilides), a cochonilha (Dysmicoccus brevipes) e a broca-do-talo (Strymon megarus), esta de ocorrência no Norte-Nordeste.
Quanto a doenças, a mais grave e de de ocorrência generalizada é a fusariose ou gomose, causada pelo fungo Fusarium subglutinans" f. sp. "ananas e que pode provocar grandes prejuízos. Entre outras doenças importantes citam-se a murcha, causado pelo vírus PMWaV (Pineapple Mealybug Wilt-associated Virus) e a podridão-do-olho, causado pelo fungo Phytophthora nicotianae var. parasitica.
  • No cenário mundial, algumas espécies de nematoides figuram como pragas de importância.
Consumo:

O abacaxi pode ser consumido em natura ou industrializado, sob a forma de fatias ou pedaços em calda, pedaços cristalizados, passa, picles, suco, xarope, geleia, licor, bebida fermentada , vinagre e aguardente. Todavia, os principais produtos são as fatias ou pedaços em calda e o suco. Com o suco do abacaxi, podem ser preparados refrescos,sorvetes, cremes, balas e bolos. Como subprodutos da industrialização do abacaxi, obtêm-se álcool, ácido cítrico (citrato), ácido málico, ácido ascórbico (vitamina C), bromelina(enzima proteolítica que entra na composição de diversos medicamentos) e rações para animais; do restante da planta, são aproveitados, industrialmente, as fibras e o amido. O suco do abacaxi contém cerca de 12 por cento de açúcar e 1 por cento de ácidos orgânicos (principalmente ácido cítrico); é considerado boa fonte de vitaminas A e B1, bem como razoável fonte de vitamina C .

Abacaxi (ao natural):
  • Valor nutricional por 100 g (3,53 oz)
  • Energia 202 kJ (50 kcal)
  • Carboidratos
  • Carboidratos totais 12,63 g
  • Açúcares 9,26 g
  • Fibra dietética 1,4 g
Gorduras:
  • Gorduras totais 0,12 g
Proteínas:
  • Proteínas totais 0,54 g
Vitaminas:
  • Tiamina (vit. B1) 0.079 mg (7%)
  • Riboflavina (vit. B2) 0.031 mg (3%)
  • Niacina (vit. B3) 0.489 mg (3%)
  • Ácido pantotênico (B5) 0.205 mg (4%)
  • Vitamina B6 0.110 mg (8%)
  • Ácido fólico (vit. B9) 15 µg (4%)
  • Vitamina C 36.2 mg (44%)
Minerais:
  • Cálcio 13 mg (1%)
  • Ferro 0.28 mg (2%)
  • Magnésio 12 mg (3%)
  • Manganês 0.9 mg (43%)
  • Fósforo 8 mg (1%)
  • Potássio 115 mg (2%)
  • Zinco 0.10 mg (1%)

Fruto do abacaxi (exterior e corte).

Produção:

Os principais países produtores de abacaxi, segundo a FAO (2008) são o Brasil, a Tailândia, as Filipinas, Costa Rica, a China, a Índia e a Indonésia . Por sua vez, a industrialização é feita, principalmente, no Havaí; mas Formosa, Malásia, África do Sul, Austrália e Costa do Marfim também sobressaem. Os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão, o Reino Unido, o Canadá e a França são grandes consumidores do fruto industrializado.

  • Segundo o IBGE (2009), os principais Estados brasileiros produtores de abacaxi são a Paraíba, com 263.000 mil frutos, Minas Gerais, com 255.756 mil frutos, o Pará, com 241.098 mil frutos, a Bahia, com 121.127 mil frutos e o Rio Grande do Norte, com 120.337 mil frutos.
O nível tecnológico empregado nos plantios brasileiros de abacaxi é bastante heterogêneo, com áreas que empregam toda a tecnologia disponível (análise de solo, correção da acidez, adubação no plantio e de cobertura, tratamento de indução floral, pulverizações contra pragas e doenças), enquanto em outras regiões as práticas ainda são bastante rudimentares, com baixa produtividade. Outro fato típico de abacaxicultura brasileira é o deslocamento constante das áreas de produção, devido ao aparecimento de problemas fitossanitários. A grande maioria dos abacaxis produzidos no Brasil é destinada ao consumo interno, como fruta fresca. São Paulo e os estados do Sul absorvem grande parte das produções de abacaxi da Paraíba, Minas Gerais e Tocantins.

Outras espécies:

Próximo do gênero Ananas há o Pseudananas, que contém uma única espécie, P. sagenarius, vulgarmente designada por gravatá-de-rede ou pseudo-ananás, cujos frutos não possuem coroa. São peculiares do gênero Pseudananas a presença de estolhos ligados à base da planta e a ausência de mudas ligadas diretamente ao talo da planta ou ao pedúnculo do fruto. Outras características, não exclusivas desse gênero, são os espinhos bastante agressivos da porção inferior da folha, voltados para baixo, e os dois apêndices na face superior das pétalas, com forma de prega, os quais, no gênero Ananas, têm forma de funil.
  • As espécies selvagens de abacaxis e suas variedades principais são: Ananas ananassoides, var. nanus (ananaí-da-amazônia) e var. typicus (ananás-do-campo); A. bracteatus, var. albus (ananás-branco-do-mato), var.rudis (ananás-vermelho-do-mato), e var. tricolor; A. fritzmuelleri e A. lucidus (curauá-da-amazônia). Todos têm as margens das folhas armadas de espinhos, exceto a última, nas quais, praticamente, só existe um acúleo terminal.
O ananás-do-campo constitui padrão de terra seca e pobre; suas folhas produzem fibras tão boas como as do caroá; o fruto apresenta uns 10 cm de comprimento e considerável número de sementes. As fibras das folhas do curauá também são de excelente qualidade; o fruto tem apenas uns 6 cm de comprimento; é planta que se adapta muito bem ao clima úmido. O fruto do ananaí-da-amazônia atinge apenas 3 a 4 cm. A. fritzmuelleri tem por ambiente natural o litoral sul do Brasil e produz fruto de uns 20 cm de comprimento, enquanto a do ananás-do-mato é ligeiramente maior.
  • O ananás-de-agulha, ananás-de-cerca e ananás-de-raposa são outras variedades também encontradas no Brasil.
Outros tipos de abacaxis:
  • Havaí
  • Jupí
  • Pérola

Nada mais gostoso do que um suco de abacaxi bem refrescante. E se você souber que além de saboroso, ele também ajuda a emagrecer, melhor ainda!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Anacardium occidentale - Cajueiro

O caju

  • O cajueiro (nome científico Anacardium occidentale) é uma planta da família Anacardiaceae originária da região nordeste do Brasil, com arquitetura de copa tortuosa e de diferentes portes. Na natureza existem dois tipos: o comum (ou gigante) e o anão. O tipo comum pode atingir entre 5 e 12 metros de altura, mas em condições muito propícias pode chegar a 20 metros. O tipo anão possui altura média de 4 metros. 
Seu fruto, a castanha de caju, tem uma forma semelhante a um rim humano; a amêndoa contida no interior da castanha, quando seca e torrada, é popularmente conhecida como castanha-de-caju. Prologando-se ao fruto, existe um pedúnculo (seu pseudofruto) maior, macio, piriforme, também comestível, de cor alaranjada ou avermelhada; é geralmente confundido como fruto. Designado como pedúnculo ou pseudofruto, esta estrutura amadurece colorido em amarelo e/ou vermelho e varia entre o tamanho de uma ameixa e o de uma pera (5–11 cm). Tem, ainda, os nomes científicos de Anacardium microcarpum e Cassuvium pomiverum. Além do fruto, a casca da árvore é também utilizada como adstringente e tônico. 
  • O tronco do cajueiro produz uma resina amarela, conhecida por goma do cajueiro que pode substituir a goma arábica, e que é usada na indústria do papel até a indústria farmacêutica .
Sua madeira, durável e de coloração rosada é também apreciada. As flores são especialmente melíferas e têm propriedades tônicas, já que contêm anacardina. Da seiva produz-se tinta. A raiz tem propriedades purgativas.
  • Suas folhas são obovadas (isto é, têm a forma de um ovo invertido), apresentando-se coriáceas e subcoriáceas. As flores dispõem-se em panículas. 

Classificação científica:
  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Magnoliopsida
  • Ordem: Sapindales
  • Família: Anacardiaceae
  • Gênero: Anacardium
  • Espécie: A. occidentale
Nome binomial:
  • Anacardium occidentale
Taxonomia:
  • Copa com ramos terminais piloso.
  • Caule tortuoso, com ritidoma cinza e fissurados com placas.
  • Folhas simples, coriáceas ou semicoriáceas, concolores, glabras, alternas, espiraladas ovadas e obovadas, com ápices arredondados e bases agudas; as margens são inteiras e nervação broquidódroma.
  • Nervuras salientes na parte abaxial e domáceas nas axilas das nervuras secundárias. pecíoladas ou sésseis, sem estípula.
  • Flores de cinco pétalas livres, de cor rosa.
  • Frutos são nozes de até 3 centímetros de cor cinza, pseudofruto vermelho ou amarelado suculento e carnoso.
Propriedades Químicas:
  • O ácido anacárdico é um composto químico encontrado na casca da castanha de caju (Anacardium occidentale). Como ele está intimamente relacionado com urushiol, podendo também causar uma erupção cutânea alérgica em contato com a pele conhecida como dermatite de contato induzida por urushiol. O acido anacárdico é um líquido amarelo. É miscível parcialmente em álcool e éter, mas quase imiscível em água. Quimicamente, o ácido anacárdico é uma mistura de vários compostos orgânicos intimamente relacionados. Cada um consiste de um ácido salicílico substituído com uma cadeia alquílica que tem 15 ou 17 átomos de carbono. O grupo alquila pode ser saturado ou insaturado. O ácido anacárdico é portanto uma mistura de moléculas saturadas e insaturadas. A mistura exata depende da espécie da planta. da qual o a mistura encontrada no caju é muito letal para as bactérias Gram positivas. 
Usado principalmente no tratamento de abcessos dentários, também é ativo contra acne, alguns insetos, tuberculose e MRSA. Ela é encontrada principalmente na castanha de caju, mas também no fruto do caju, no óleo de casca de noz do caju, mas também em mangas e gerânios Pelargonium.
Nome IUPAC: 
  • Ácido 2-hidroxi-6-[(8Z,11Z)-pentadeca-8,11,14-trienil]benzóico
Fórmula molecular:
  • C22H30O3
Tratamento de abcessos dentários:

A cadeia lateral com três ligações insaturadas provou ser a mais eficaz contra a Streptococcus mutans, a bactéria da cárie dentária, em experimentos de tubo de ensaio. O número de ligações insaturadas não teve influência na ação contra a Propionibacterium (bactéria da acne). Pesquisas de laboratório comprovaram que o ácido anacárdico se demonstra muito eficaz contra bactérias causadoras da tuberculose. Ao aquecer, este ácido se converte em um tipo de álcool (cardanol), mas não perde suas propriedades a não ser que a temperatura se eleve a ponto de causar a descarboxilação da mistura. Diz-se que os povos da Costa do Ouro usavam a castanha do caju e as folhas para curar a dor de dente.

 Ácido anacárdico
  • Ela pode diminuir a sensação de cansaço e aumentar a sua concentração! Contém as vitaminas C, K e do complexo B; além do ácido anacárdico, que ajuda a prevenir cáries dentárias; e a dupla riboflavina e tiamina, que melhora a visão, a saúde da pele e os sintomas da TPM.
Aplicações industriais:

Ácido anacárdico é o principal componente do óleo de castanha de caju, e encontra uso na indústria química para a produção de cardanol, que é utilizado para as resinas, revestimentos e materiais de fricção. 
  • A primeira análise química do óleo da casca da castanha de caju do Anacardium occidentale foi publicado em 1847.
Etimologia:

  • Também é conhecido pelos nomes derivados do original da língua tupi (acayu): acaju, acajaíba, acajuíba, caju-comum, cajueiro-comum, cajuil, caju-manso, cajuzeiro e o caju. Em Moçambique é ainda conhecido como mecaju e mepoto.
O nome inglês cashew é derivado da palavra portuguesa de pronúncia similar, caju, que por sua vez provém da palavra indígena acaju. Na Venezuela o cajueiro é denominado merey, mas em outros países da América Latina é chamado marañón, provavelmente devido ao nome da região onde foi visto pela primeira vez, o estado do Maranhão.

Importância nutritiva:

O caju é riquíssimo em vitamina C (seu teor é bem maior que o da laranja). Contém ainda vitamina A e do complexo B. Também é rico em proteínas, lipídios, e carboidratos. É ainda uma boa fonte de sais minerais como cálcio, fósforo e ferro, além de zinco, magnésio, fibras e gordura insaturada, que ajudam a diminuir o nível de colesterol no sangue. O caju tem ainda quantidades razoáveis de Niacina.
  • Por ser rico em fibras, o caju é indicado para aumentar a movimentação intestinal.

Castanha de caju

História:

Crônicas dos primeiros colonizadores da costa brasileira contam que, na época da frutificação dos cajueiros, nações indígenas do interior vinham ao litoral, território dos tupinambás e tupiniquins, e com eles travavam guerras pela colheita dos frutos: eram as "guerras do acayu".
Durante o domínio holandês no Nordeste do Brasil, diversos autores ressaltaram o valor da fruta do cajueiro, especialmente suas virtudes terapêuticas. Maurício de Nassau chegou a baixar uma resolução que fixava a multa de cem florins por cajueiro derrubado ("visto que o seu fruto é um importante sustento dos índios"). O cajueiro é a árvore símbolo da Cidade do Recife-PE.
  • Presume-se que o cajueiro chegou em Goa, principal colônia de Portugal nas Índias Orientais entre 1560 e 1565, para a estabilização de taludes e para lutar contra a erosão.
Os portugueses levaram a planta para a Índia, entre 1563 e 1578, onde ela se adaptou extremamente bem. Depois da Índia foi introduzida no sudeste asiático, chegando à África durante a segunda metade do século XVI, primeiro na costa leste e depois na oeste e por último nas ilhas.

  • As primeiras importações de amêndoas de castanha de caju da Índia foram feitas em 1905 pelos Estados Unidos. O comércio mundial de amêndoa de caju teve início de forma efetiva depois que representantes da empresa americana General Food Corporation descobriram essas nozes durante uma missão na Índia no início da década de 1920. Além de embarques regulares para os Estados Unidos, pequenas consignações foram enviadas para vários países europeus, particularmente para o Reino Unido e Países Baixos. Em 1941 as exportações indianas de amêndoas de castanha de caju já alcançavam quase 20 mil t. Hoje a castanha é um importante item no comércio mundial. O valor total de vendas, após agregação de valor, supera a soma de US$ 2 bilhões.
Informações gerais:
  • O maior cajueiro do mundo encontra-se em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, conforme comprovado pelo Guiness Book na década de 1980.
  • É muito cultivado nas regiões tropicais da América, África e Ásia. 
  • Os maiores exportadores mundiais de amêndoa de castanha de caju (ACC) são Índia, Vietnã e Brasil.

Planta adulta de cajueiro

domingo, 25 de maio de 2014

Alpinia zerumbet - Colonia

Alpinia zerumbet - Colonia

  • Alpinia zerumbet (Pers.) B. L. Burtt & R. M. Sm., planta originária da Ásia, pertence à família Zingiberaceae é encontrada na literatura científica com as sinonímias de Alpinia speciosa K. Shum, Costus zerumbet Pers.,Languas speciosa Small e Zerumbet speciosum J. C. Wendel (Lorenzi & Souza, 2001).
Trazida para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro no século XIX, recebeu o nome de flor-da-redenção e bastão-do-imperador (Corrêa, 1975) e atualmente é conhecida também como colônia, paco-seroca, cuité-açu, pacova (Almeida, 1993) e gengibre-concha (Lorenzi & Souza, 1995).
Trata-se de planta herbácea, perene, que atinge 2 a 3 metros de altura, rizomatosa, com pseudocaule aéreo curto, originado pela sobreposição das bainhas. As folhas são coriáceas, espessas e lanceoladas, curto-pecioladas, verde-luzidias, com bainha aberta, língula desenvolvida e em disposição dística (Almeida, 1993; Lorenzi & Souza, 2001).
  • Além de ornamental é muito utilizada entre os populares devido às propriedades medicinais a ela atribuídas. Dentre as propriedades farmacológicas comprovadas para a A. zerumbet, destacam-se os efeitos hipotensor e levemente diurético obtidos através do chá das folhas, que foram confirmados pelos estudos de Mendonça et al. (1991) e Laranja et al. (1991, 1992). A atividade antimicrobiana comprovada para óleos essenciais da espécie varia segundo sua composição (Wattiez & Sternon, 1942). Outras propriedades medicinais, tais como anti-histéricas, estomáticas e vermífugas relacionadas às folhas, flores e rizoma foram descritas por Almeida (1993).
Propriedades químicas:

Entre as publicações que relacionam compostos químicos isolados da espécie com ações farmacológicas citamos:
  • Morita et al. (1996), que testaram a ação inibitória de sesquiterpenos e seus derivados isolados de Alpinia japonica e A. zerumbet, sobre a histamina ou cloreto de bário, na contração induzida do íleo exposto de porcos da Índia e referiram os sesquiterpenos, β-eudesmol, nerolide, epóxido humuleno II e α-hidroxidihidroagarofurano, como os principais compostos espasmolíticos contidos nos extratos.
  • Tawata et al. (1996a), que realizaram a síntese e a análise biológica de composto branco-cristalino (diidro-5,6-deidrokavaína) isolado das folhas de A. zerumbet e a partir da hidrólise deste composto, obtiveram o 4-hidróxi-6-(2-fenil etil)-2H-piran-2-ona, do qual três novos compostos foram sintetizados, entre os quais o dimetil-[6-(2-fenil etil)-2-oxo-2H-piran-4-il] fosforotinado, apresentou grande atividade antifúngica, em torno de 91% a 100 ppm, frente ao Corticium rolfsii.
  • Alcalóides e fenóis livres em Alpinia nutans (Di Stasi & alii, 1989:148, citando Mendonça & alii (1988). 
  • Óleo essencial contendo cineol, eugenol, pineno, éter metílico, ácido cinâmico, cadineno; galangina; éter metílico de galangina; canferina; bassorina; amido; matérias mucilaginosas e resinosas em Alpinia officinarum Hance (Coimbra & Diniz, 1943:121). 
  • Alpinetina, cardamonina, cânfora (Botsaris , s/d:264). 
  • Esterosídeos flavonóides (Schauenberg & Paris, 1980:345). 
  • Sesquiterpenos, fenilalquicetonas, compostos flavônicos, resina, taninos (Fitoterapia, 1998:224).
Estudos realizados para determinação da composição química de extratos brutos, visando a comprovação de propriedades medicinais para compostos isolados possibilitou a determinação de princípios ativos presentes em extratos brutos e óleos essenciais, bem como a indicação do uso adequado em enfermidades específicas.
  1. No mesmo ano, Tawata et al. (1996b) testaram a volatilidade dos compostos isotimol, timol e eugenol isolados do óleo essencial de A. zerumbet, todos com forte atividade antifúngica contra fitopatogênicos. Concluíram que embora constituintes ativos fossem voláteis no ambiente natural, poderiam ser transformados em fosforotionados não-voláteis pela reação com agentes tiofosfóricos usando como base a tri-tialamina ou NaOH(aq.). No estudo, vinte e oito tipos de ésteres tiofosfóricos foram sintetizados e vinte deles mostraram forte atividade antifúngica, promovendo, na concentração de 10 ppm, a inibição de 39,65% e 56,6% do crescimento de Pythium sp. eCorticium rolfsii, respectivamente.
  2. Através da utilização de técnicas espectroscópicas, Xu et al. (1996) descobriram dois novos diterpenos do tipo labdano, denominados de Zerumina A e Zerumina B, e isolaram das sementes de A. zerumbet outros compostos já conhecidos como o 15,16-bisnorlabda-8, 11-dieno-13-ona e coronarin E. Pesquisas mais recentes realizadas com Curcuma amada Roxb., também uma Zingiberaceae, referem a presença da Zerumina B no rizoma desta espécie e atribui a este composto pronunciada atividade citotóxica e antitumoral (Abas et al. 2005).
  3. Mpalantinos et al. (1998) isolaram flavonóides, diidro-5,6-deidrokavaína e 5,6-deidrokavaína, do extrato aquoso das folhas de A. zerumbet. Referiram que os flavonóides identificados como rutina, campferol-3-O-rutinosídeo, campferol-3-O-glucuronido, catequina e epicatequina são substâncias bem conhecidas, que contribuem para a atividade hipotensora, diurética e antiulcerogênica do extrato aquoso da planta e que o diidro-5,6-deidrokavaína e 5,6-deidrokavaína atuam como antiulcerogênico e antitrombótico.
  4. Os estudos de Zoghbi et al. (1999), que identificaram os principais componentes do óleo das folhas e flores de A. zerumbet, entre os quais o terpineno-4-ol presente tanto nas folhas quanto nas flores, apresenta ação hipotensora. Zoghbi et al. referiram para as folhas além do terpineno-4-ol, que corresponde a 22,7% dos compostos, o limoneno (25.1%) e o γ-terpineno (17.4%) e para as flores o 1,8-cineol (23.1%) e sabineno (14.5%).
  5. No ano 2000, dois estudos químicos de A. zerumbet mereceram destaque: os estudos de Liao et al. (2000) que demonstraram o efeito inibidor de extratos brutos sobre a quantidade de peróxido de lipídios (LPO) formado a partir da hematoporfirina contida na suspensão microssomal do fígado de rato, irradiada com luz visível. Já os estudos de Masuda et al. (2000), que isolou do rizoma de A. zerumbet três novos ésteres glucosídeos do ácido ferúlico com função antioxidante.
  6. Após sete anos sem pesquisas na área química para a espécie, Elzaawely et al. (2007a) desenvolveram protocolo para obtenção de óleos essenciais, diidro-5,6-deidrokavaína (DDK) e extratos fenólicos enriquecidos em antioxidante, a partir de folhas frescas e rizoma de A. zerumbet. Os principais componentes identificados nos óleos das folhas foram o 1,8-cineol, cânfora e metil cinamato, o primeiro já referido nos estudos de Zoghbi et al. (1999) para extratos das flores. Como principais componentes do óleo essencial do rizoma o autor referiu o DDK e o metil cinamato, sendo DDK, já referido nos estudos realizados por Tawata et al. (1996) e Mpalantinos et al. (1998) para extrato foliar da espécie. Elzaawely et al. (2007a) também referiram que o índice mais elevado de DDK foi encontrado no extrato hexânico dos rizomas frescos. Extratos de acetato de etila das folhas mostraram maior ação antioxidante que extratos do rizoma, o que foi demonstrado pela forte inibição da oxidação de β-carotenos.
  7. No mesmo ano, testando a composição fenólica de óleos essenciais e extratos de flores e sementes da A. zerumbet, Elzaawely et al. (2007b), referiu o 1,8-cineol, a cânfora, o metil cinamato e o borneol, como sendo os principais constituintes dos óleos essenciais das flores, enquanto que os principais componentes dos óleos das sementes foram a alfa-cadinol, o T-muurolol, a alfa-terpinenol, o delta-cadineno e o terpineno-4-ol. A análise da composição fenólica feita, indicou que o ácido p-hidroxibenzóico, o ácido ferúlico e ácido siríngico foram os fenólicos predominantes no extrato de acetato de etila das flores, enquanto o ácido p-hidroxibenzóico, o ácido siríngico e a vanilina foram os principais fenólicos presentes nas sementes.
  8. Estudos farmacológicos de produtos naturais permitem comprovar a eficácia e a toxicidade de plantas de uso popular e comercializadas. Além disso, certifica os efeitos colaterais, relacionando esses efeitos às doses e a um possível mecanismo de ação em várias espécies de animais de laboratório (Lapa et al., 1999).
  9. Para A. zerumbet a revisão de literatura, feita para o período de 1987 a 2008, mostrou que alguns aspectos farmacológicos da espécie já foram estudados e entre as publicações feitas neste período citamos os estudos de Hsu (1987) que avaliou os efeitos do diidro-5,6-deidrokavaína (DDK) e 5,6-deidrokavaína (DK), extraídos do rizoma e das folhas da espécie, sobre cinco tipos de úlceras intestinais agudas induzidas em ratos. Entre os tipos de úlceras estudadas, as úlceras de Shay, induzidas por histamina, úlceras induzidas por aspirinas, dois tipos de úlceras crônicas, induzidas por ácido acético e úlceras termocauterizadas, foram reduzidas por ação de todos os compostos, destacando-se a cura promovida pelo DK e DDK sobre úlceras termocauterizadas.
  10. Avaliando o potencial diurético de Elephantopus scaber e A. zerumbet, Laranja et al. (1991) concluíram que os únicos achados significantes no estudo foram a ação diurética de A. zerumbet (p<0.05), e a diminuição da pressão sanguínea diastólica (p<0,05) e sistólica (p<0,01) observada nos 10 voluntários utilizados no estudo (cinco homens e cinco mulheres), com faixa etária entre 20 e 32 anos. Foram administrados a cada um dos voluntários três tipos de chás em doses cinco vezes maiores que o habitual das duas substâncias (i.e. 7.5 g 100 mL-1 e 0.8 g 100 mL-1, respectivamente), com intervalo de sete dias entre cada dose. Para a comparação entre os efeitos das duas substâncias, foram avaliados os parâmetros sódio plasmático e urinário, potássio, ácido úrico, cálcio, fosfato, ureia e creatinina.
  11. No ano seguinte, Laranja et al. (1992) complementando os estudos acerca da atividade diurética de A. zerumbet e E. scaber, compararam a ação diurética dessas espécies com a ação diurética de Trandescantia diuretica. Os mesmos procedimentos do estudo anterior foram adotados. Mais uma vez os únicos resultados estatisticamente significativos (p<0,05), foram a redução do volume urinário e diminuição da pressão diastólica e sistólica produzida por A. zerumbet. Por não terem sido observadas alterações hidroeletrolíticas e dos parâmetros de função renal, foram excluídos efeitos tubular ou glomerular das espécies testadas.
  12. Estudando os efeitos do óleo essencial de A. zerumbet (EOAZ) no íleo de ratos, Bezerra et al. (2000) verificaram que este óleo na concentração de 0,1-600 mg mL-1 reverte o tônus basal relaxando o íleo. Contrações induzidas por 60 mM de KCl ou acetilcolina foram inibidas pelo EOAZ com valores similares a IC50 (~44 e 48 µg mL-1, respectivamente). Estes resultados mostraram que o EOAZ possui tanto ação relaxante como antiespasmódica sobre o íleo. Esta ação pode ser explicada pela presença de sesquiterpenos e derivados no óleo de A. zerumbet, que nos estudos de Morita (1996) é apontado como grupo químico de principal atividade espasmolítica.
  13. Analisando os terpenos contidos nos óleos essenciais de A. zerumbet, Moreira et al. (2001) estudaram os efeitos sobre o potencial de ação dos nervos ciáticos de ratos. Verificaram que os terpenos induziram o bloqueio dose-dependente do potencial de ação nas doses de 300 µM e 600 µM, com as quais foram alcançados picos de amplitude e velocidade de condução do potencial de ação os quais foram significativamente reduzidos ao término de 180 minutos de exposição do nervo ao fármaco.
  14. Estudando a atividade antioxidante de espécies cultivadas em Okinawa (Japão) e utilizadas como comestíveis e medicinais, Masuda et al. (2002) comprovaram forte atividade redutora do radical 1.1-difenil-2-picrilhidrazil (DPPH) promovida pelos extratos do rizoma de A. zerumbet e potente atividade inibitória da lipoperoxidação promovida por extratos de frutos e rizomas. Concluíram uma potente capacidade antioxidativa para a espécie, já referida por eles em estudos quando isolaram antioxidantes do rizoma de A zerumbet.
  15. Analisando o efeito do óleo essencial de A. zerumbet sobre o potencial de ação composto (CAP) no nervo ciático de ratos, Leal-Cardoso et al. (2004) verificaram que o óleo essencial da espécie induziu o bloqueio dose dependente do CAP. A dose de 60 µg mL-1 do óleo essencial não induziu nenhum efeito sobre o pico de amplitude e nem sobre a velocidade de condução do CAP, porém na dose de 100 µg mL-1 reduziu significativamente a velocidade de condução. Doses de 300, 600 e 2000 µg mL-1 de óleo essencial reduziram significativamente o pico de amplitude do nervo ciático, num período de 180 minutos em ambos os casos.
  16. No mesmo ano, verificando os efeitos anticonceptivos do óleo essencial de A. zerumbet administrado por via oral em camundongos Swiss masculinos (20-25 g cada um), Araújo et al. (2005) observaram que nas contrações induzidas pelo ácido acético, o óleo essencial foi efetivo em todas as doses testadas (30, 100 e 300 mg kg-1 ; n = 10, n = 13 e n = 15, respectivamente). Nos testes da placa-quente, A. zerumbet aumentou significativamente a latência nas doses de 100 e 300 mg kg-1 de peso, porém não na dose de 30 mg kg-1 nas observações cronometradas por 180 minutos (n = 10 para cada dose). Os autores concluíram que a administração oral da A. zerumbet promoveu efeito antinociceptivo dose-dependente, com mecanismo de ação que envolve, provavelmente, a participação dos receptores opióides.
  17. A fim de elucidar a ação antihipertensiva da A. zerumbet, cinco estudos referentes à atividade hipotensora da espécie foram publicados no período correspondente a esta revisão, dentre eles os estudos feitos por Lordelo et al. (2000) que determinaram a atividade antihipertensiva e diurética, bem como, a toxicologia clínica de A. zerumbet, administrando extratos da espécie, sob a forma de folhas secas pulverizadas e encapsuladas, em pacientes com diagnóstico de hipertensão arterial essencial, estágio I (leve) ou II (moderada). Os pacientes avaliados não apresentaram modificações do volume ou da freqüência urinária, bem como alterações nos exames laboratoriais. Após os estudos, os autores concluíram que cápsulas de A. zerumbet foram bem toleradas, seguras e eficazes no controle da hipertensão essencial leve ou moderada, em aproximadamente 70% dos pacientes. Segundo o que Mpalantinos (1998) referiu nos estudos, essa atividade se explica pela presença de flavonóides no extrato foliar de A. zerumbet que contribuem para a atividade antihipertensiva e diurética.
  18. Investigando o efeito do extrato hidroalcoólico de A. zerumbet (EHAZ), Emiliano (2002) isolou o leito vascular mesentérico (LVM) de ratos Wistar machos (250-350 g). Os estudos demonstraram que o EHAZ promoveu potente efeito vasodilatador no LVM, e que este efeito parece ser endotélio-dependente. Os resultados permitiram a autora concluir que o efeito anti-hipertensivo do EHAZ, observado na medicina popular, é decorrente de vasodilatação com consequente diminuição da resistência vascular periférica.
  19. Lahlou et al. (2002), estudando os efeitos cardiovasculares no tratamento intravenoso com óleos essenciais de A. zerumbet em ratos conscientes e anestesiados por pentobarbitona, observaram que o tratamento utilizado induzia hipotensão imediata e significante, que pode ser parcialmente atribuída a ação do terpineno-4-ol. Com os estudos, os autores confirmaram os resultados referidos por Zoghbi et al. (1999), que já haviam referido a ação antihipertensiva para o terpineno-4-ol presente tanto nas folhas quanto no rizoma de A. zerumbet.
  20. No ano seguinte, Lahlou, et al. (2003) continuaram os estudos sobre a ação cardiovascular de A. zerumbet, desta vez analisando as respostas hipotensivas promovidas pelo tratamento intravenoso com óleo essencial da espécie em ratos. Os resultados mostraram que o tratamento intravenoso com óleo essencial de A. zerumbet ou com terpineno-4-ol (Trp-4-ol) dose dependente, decresceram a pressão sanguínea nos ratos hipertensos e esta ação foi realçada quando comparada com controles uninefrectomizados. Com estes dados eles reafirmaram a hipótese que os efeitos hipotensivos da A. zerumbet estão atribuídos parcialmente às ações do Trp-4-ol.
  21. Moura et al. (2005) realizaram experimentos com extratos hidroalcoólicos das folhas de A. zerumbet, para verificar o efeito vasodilatador sobre a camada vascular mesentérica e o efeito anti-hipertensivo em ratos com hipertensão induzida por cloreto de sódio (DOCA). Em vasodilatação, pré-controlada com norepinefrina, a A. zerumbet induziu uma vasodilatação endotélica. Em vasos pré-contraídos pela norepinefrina, o efeito vasodilatador da espécie não foi alterado pela 4-aminopiridina, glibenclamida ou pela apamina plus caribdotoxina. Os autores verificaram que o efeito vasodilatador e anti-hipertensivo da espécie foram comprovados pela redução significativa na pressão arterial sistólica, média e diastólica nos ratos hipertensos.
  22. Sete publicações referentes à atividade antimicrobiana da A. zerumbet foram encontradas no período correspondente a revisão, indicando que a ação antimicrobiana da espécie, embora não seja a principal motivação para o seu uso popular, uma vez que é usada principalmente como antihipertensiva, vem sendo investigada por diferentes pesquisadores.
  23. Lobato et al. (1989) avaliaram a atividade antimicrobiana de óleos essenciais de quatorze plantas usadas na região amazônica em banhos aromáticos e como desinfetantes de roupas e armários. Os óleos de A. zerumbetforam ativos frente a oito das nove bactérias testadas, dentre elas Staphylococus aureus, Proteus mirabilis, Proteus vulgaris, Escherichia coli, Edwardsiella tarda, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter aerogenes e Salmonella sp., foram sensíveis aos óleos essenciais com halos de inibição variando de 7 a 14 mm.
  24. Yu et al. (1993) realizaram estudos comparativos da bioatividade de cinco espécies medicinais, entre elas A. zerumbet, e os resultados obtidos no estudo mostraram que os óleos voláteis de A. aurantiacum e de A. zerumbet foram ativos frente a bactérias Gram-negativas.
  25. No ano seguinte, extratos de dez plantas medicinais foram testados por Sá et al. (1994), frente a bactérias causadoras de conjuntivite como Streptococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Bacillus subtilis, Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes, Neisseria gonorrhoeae. Os extratos de A. zerumbet, bem como os de Laurus Nobil, Cymbopogon citratus, Pimpinella anisum e Eugenia uniflora apresentaram atividade antimicrobiana produzindo halos de inibição acima de 10 mm de diâmetro.
  26. Cinqüenta extratos etanólicos de plantas medicinais de uso popular no Taiwan foram testados por Wang & Huang (2005) sobre o Helicobacter pylori. A. zerumbet figurou entre as espécies que apresentaram atividade antimicrobiana frente ao microrganismo testado com concentrações mínimas inibitórias do extrato etanólico variando entre 0,64 a 10,24 mg mL-1 .
  27. No mesmo ano, Voravuthikunchai et al. (2005) avaliaram atividade antimicrobiana para doze plantas medicinais da Tailândia que são utilizadas na auto-medicação por pacientes de HIV/AIDS do país. Trinta e nove extratos (clorofórmicos, metanólicos e aquosos) das plantas, entre as quais A. zerumbet, foram testados frente aos microrganismos S. aureus, Staphylococcus aureus metacilina resistente (MRSA), Streptococcus mutans eSalmonella typhi, comumente associados com infecções em aidéticos. As bactérias Gram-positivas apresentaram-se suscetíveis frente ao extrato clorofórmico de sete espécies, inclusive a A. zerumbet.
  28. Procurando investigar a atividade antimicrobiana e antioxidante, assim como quantificar o diidro-5,6-deidrokavaína (DDK), o nível de fenólicos totais e os óleos essenciais de A. zerumbet ,em plantas tratadas e não tratadas com o sulfato de cobre por 24 horas, Elzaawely et al. (2006) demonstraram que plantas tratadas com sulfato de cobre apresentaram maior nível de fenólicos totais, maior ação antioxidante e antibacteriana frente ao Bacillus cereusdo que aquelas não tratadas. O conteúdo de DDK, vanilina e de ácido cinâmico foram significativamente maiores nos extratos clorofórmicos e acetato de etila das plantas expostas ao cobre. Concluíram que a aplicação foliar do sulfato de cobre pode regular os compostos antioxidantes em plantas da A. zerumbet, influenciando sua atividade antioxidante e antibacteriana.
  29. Os extratos hidroalcoólico, hexânico e clorofórmico da A. zerumbet foram testados frente a nove micro-organismos, como S. aureus, B. subtilis, Enterococcus faecalis, Micrococcus luteus, E. coli, P. aeruginosa, Serratia marcescens, Mycobacterium smegmatis e Candida albicans por Costa et al. (2007a), com bons resultados do extrato clorofórmico do rizoma frente a E. faecalis e no extrato hexânico de folhas frente a C. albicans.
  30. No ano seguinte, continuando os estudos de atividade antimicrobiana de A. zerumbet, Costa et al. (2008) testaram extratos metanólico e acetônico frente aos mesmos microrganismos utilizados no estudo anterior, com bons resultados para o extrato acetônico do rizoma frente à S. aureus, B. subtilis, E. faecalis, M. luteus, para os quais foram obtidos halos superiores a 20 mm. A Concentração Mínima Inibitória do extrato acetônico do rizoma frente a S. aureus, B. subtilis e M. luteus foi equivalente a 125 µg mL-1 e frente a E. faecalis foi igual a para e 500 µg mL-1.
Apenas duas publicações foram encontradas sobre a atividade citotóxica de A. zerumbet no período correspondente a esta revisão.
  1. Costa et al. (2007b) testaram a atividade citotóxica dos extratos clorofórmicos, hexânicos e hidroalcoólicos em A. zerumbet, Chenopodium ambrosioides e Acmella oleracea sobre quatro linhagens celulares cancerígenas (HEp-2, NCI-H292, KB e HeLa). Os resultados mostraram ausência de citotoxicidade significativa para todos os extratos testados frente a estas linhagens celulares.
  2. No ano seguinte, dando continuidade aos estudos da atividade citotóxica de A. zerumbet, Corrêa & Costa (2008) testaram os extratos acetônico e metanólico da espécie, sobre células HEp-2, NCI-H292 e KB. Os resultados também mostraram ausência de citotoxicidade significativa para os extratos testados.
Pode se concluir que as publicações para área citotóxica de A. zerumbet de fato não se fazem presentes em bancos de dados de pesquisa para periódicos, mostrando com isso, o quanto essa espécie ainda apresenta aspectos tóxicos importantes a serem descobertos, mas fortalece também as principais propriedades medicinais como atividade antihipertensiva e diurética, que tiveram bastantes publicações, o que nos faz entender o quanto são importantes as revisões bibliográficas, pois além de dar embasamento teórico e metodológico, mostram também áreas de conhecimento que ainda não foram exploradas por outros pesquisadores, facilitando assim, a escolha destas áreas para os estudos futuros.

Alpinia zerumbet - Colonia