sábado, 29 de novembro de 2014

Bóhrio - (Bh)

Eixos de Bombas (carboneto metálico)

  • O bóhrio (em homenagem a Niels Bohr) ou Eka-Rênio (propriedades provavelmente semelhantes às do rênio) é um elemento químico sintético, símbolo Bh, número atômico 107 (107 prótons e 107 elétrons) que apresenta massa atômica [264] u.
É um elemento de transição, pertencente ao grupo 7 da tabela periódica, radioativo, transurânico, provavelmente metálico, sólido, de aspecto prateado, cujo isótopo mais estável, Bh-262, apresenta meia-vida de 102 minutos.
  • O isótopo de bóhrio-261 foi sintetizado em 1976 por cientistas soviético em Dubna, bombardeando bismuto com íons pesados de cromo. Fora da pesquisa científica nenhum uso é conhecido para o bóhrio.
Os elementos de transição:
  • Os elementos de transição são aqueles que pertencem aos períodos em que os orbitais d e f são progressivamente preenchidos. Caracterizam-se por possuírem camadas d incompletas ou por darem origem a íons com camadas d incompletamente preenchidas. Esta característica é responsável pelas propriedades peculiares destes metais, nomeadamente a grande tendência para formar complexos.
Os carbonetos metálicos:
  • Os carbonetos constituem uma família de compostos particularmente interessante na medida em que eles são os primeiros refratários feitos pelo homem e, ao contrário de óxidos e silicatos, são extremamente raros na natureza. Carboneto de ferro, Fe 3 C, e mais tarde TiC e WC foram identificados e extraídos a partir de aços em meados dos anos 1800. Em 1900, o químico francês Moisson havia sintetizado um número de carbonetos refratários em seu forno novo e estudado suas propriedades.
Caracteristicamente, a maioria destes carbonetos metálicos tem dureza elevada, condutividade elétrica e térmica boas e uma elevada estabilidade. Essas propriedades contam para as principais aplicações: estruturas resistentes a reação química, utilização em que a resistência ao desgaste é de grande importância, e alta temperatura de fontes de energia radiantes. A fragilidade de carbonetos, no entanto, tem impedido a sua utilização como uma única fase de materiais em aplicações estruturais de elevada tensão e levou ao desenvolvimento de compósitos de ligas de metal.
  • Os carbonetos de metal variam amplamente em sua inércia química, particularmente no que diz respeito ao seu ataque por atmosferas oxidantes. Em temperaturas suficientemente altas, todos são atacados muito rapidamente, embora alguns sejam mais resistentes que os metais de ponto de fusão comparável.
Até recentemente, não havia sido dada a atenção devida para a importância da estrutura na determinação de propriedades. Não só isso, mas também defeitos de microestrutura e subestrutura de deslocamento da rede são importantes. Especialmente entre os compostos intersticiais, detalhes da estrutura e composição química exercem uma influência importante sobre as propriedades físicas e mecânicas dos carbonetos metálicos. Consequentemente, poucas propriedades dos carbonetos são conhecidas com precisão e seu desenvolvimento futuro é, por enquanto, sem limites.



História:
  • O bóhrio foi sintetizado em 1976 por uma equipe de cientistas soviéticos liderado por Y. Oganessian no "Joint Institute for Nuclear Research" de Dubna, Rússia, que produziram o isótopo 261Bh com meia-vida de 1-2 minutos (segundo outras fontes, em torno de 10 minutos). Esta equipe sintetizou o isótopo Bh-261 bombardeando bismuto-204 com núcleos pesados de cromo 54.
Em 1981 uma equipe germânica conduzida por Peter Armbruster e Gottfried Münzenberg no "Gesellschaft für Schwerionenforschung" do "Institute for Heavy Ion Research" em Darmstadt confirmou os resultados da pesquisa soviética, porém obtendo o isótopo Bh-262.
Os alemães sugeriam que o novo elemento deveria ser nomeado em homenagem ao físico dinamarquês Niels Bohr; entretanto, os soviéticos sugeriram que o nome do físico deveria ser dado ao elemento 105 (dúbnio).
Devido à controvérsia para a nomeação dos elementos de 101 a 109 , a IUPAC denominou este elemento provisoriamente de "unnilseptium" (símbolo Uns).
Em 1994 um comitê da IUPAC recomendou que elemento 107 fosse denominado como “bóhrio”, com símbolo “Bh”. O nome foi reconhecido internacionalmente em 1997.

Os elementos de transição ou metais de transição:
  • Os elementos de transição ou metais de transição são definidos pela IUPAC como "Um elemento cujo átomo possui um subnível d incompleto ou que possa vir a formar cátions com um subnível d incompleto" e são representados na tabela pelo bloco d (grupo 3 ao 12).
Os lantanídeos e actinídeos são considerados elementos de transição interna (bloco f)
  • Às vezes são empregadas outras definições menos restritivas, já que a intenção é agrupar os elementos segundo as suas propriedades físicas e químicas, variando conforme a classificação adotada, além disso, alguns textos consideram elementos de transição apenas aqueles que pertencem ao bloco d.
O nome "transição" vem da posição dos elementos na tabela, representando a transição do grupo 2 ao 13, pela sucessiva adição e elétrons ao orbital d.

Elementos de transição externa ( ou somente elementos de transição ):
  • Primeira série de transição: Elementos de Z 21 a 30
  • Segunda série de transição: Elementos de Z 39 a 48
  • Terceira série de transição: Elementos de Z 72 a 80
Elementos de transição interna:
  •  Lantanídeos : São os elementos que vão desde o número atômico 57 até ao 71 ( o escândio e o ítrio apresentam propriedades semelhantes a dos lantanídeos e, portanto, são estudados em conjunto ).
  •  Actinídeos: São os elementos que vão desde o número atômico 89 até ao 103.
As propriedades químicas de um elemento dependem em grande parte de como estão situados os seus elétrons nos níveis de energia mais externos. Por isso, os elementos de transição apresentam certa semelhança entre si, ainda que se diferenciem dos lantanídeos e actinídeos.

Configuração eletrônica:
  • Cada átomo (ou metal) estranho ao preenchimento de um elétrons em um subnível (n-1)d, sendo n o número do grupo no qual estão situados. Conforme se avança no período se adiciona um elétron, de acordo com o procedimento de Aufbau, na configuração eletrônica, colocando onde energeticamente é mais favorável. Todos os da primeira série de transição tem uma configuração eletrônica de 3dn-24s2, ou seja, completam primeiro os orbitais s e posteriormente os orbitais d. Devido as energias dos orbitais 3d e 4s estarem muito próximas, o Cromio e o Cobre apresenta uma irregularidade. o Crômio semi-preenche exatamente o subnível 3d (3d54s1), e o Cobre possui o subnível 3d completo (3d104s1), ambos com apenas um elétron no subnível 4s.
De forma similar, se conhece as configurações eletrônicas dos elementos das demais séries de transição, assim como as dos respectivos cátions. Em alguns casos são iguais e em outros diferentes inclusive dentro do mesmo grupo, porém se tem observado que, em relação ao comportamento químico, o mais importante é o número total de elétrons que se encontram nos níveis externos. Nos lantanídeos se vai completando o sub-nível 4f, ainda que nos actinídeos pode haver elétrons no 5f, no 6f, ou em ambos.
  • Segundo a definição inicial, por exemplo, nem o zinco e nem o escândio são elementos de transição, apesar de estarem situados no bloco d. O zinco só pode formar o íon Zn2+, porque o sub-nível d está completo com 10 elétrons. passando de uma configuração [Ar]3d104s2 para uma de [Ar]3d10. Por outro lado, o escândio só forma o íon Sc3+, condição na qual não possui nenhum elétron ocupando orbital d. passando a ter a configuração eletrônica do argônio, [Ar ], devido a perda dos três elétrons. O mesmo acontece com outros elementos de transição.
A configuração eletrônica dos elementos de transição está em configuração eletrônica. Outro modo de compreender essa configuração eletrônica é que para elementos de transição, a partir do grupo 3, haverá uma contração no volume do subnível d (diminuição de energia).

Propriedades gerais:
  • Quase todos são metais duros de alto ponto de fusão e ebulição, conduzindo bem o calor e a eletricidade.
  • Podem formar ligas entre si.
  • Apresentam estados de oxidação muito variados.
  • É frequente que formem compostos de coordenação com diferentes índices de coordenação.
  • O número de eléctrons nos subníveis d é variável. É frequente que os complexos que formam sejam coloridos ou apresentem paramagnetismo.
  • A maioria tem potenciais negativos, motivo pelo qual se dissolvem em ácidos, ainda que muitos se tornem positivos, recobrindo-se de uma capa protetora, e não se dissolvem. Alguns apresentam potenciais positivos como, por exemplo, o ouro.
Estados de oxidação:
  • Os metais de transição apresentam normalmente uma faixa de estados de oxidação mais amplos que os elementos de outros grupos. Por exemplo, o manganês pode apresentar estados de oxidação desde -3 até +7, sendo cinco destes estados os mais comuns. os elementos do grupo 1 ( alcalinos ) não podem perder mais de um elétron, os do grupo 2 ( alcalino-terrosos ) normalmente só perdem dois elétrons.
Isto pode ser verificado nos valores dos potenciais de ionização de cada elemento. Nos elementos de transição os elétrons dos orbitais d e s mais externos estão bastante próximos em energia, encontrando-se estes elementos em estados de oxidação mais altos.Os estados de oxidação que apresentam são muito variáveis. Observando os elementos do quarto período verifica-se estas tendências:
  • o máximo de oxidação que podem alcançar vai aumentado conforme se avança na tabela, sendo máximo no manganês, a partir do qual começa a diminuir;
  • os estados de oxidação baixos ( +2, +3 ) são encontrados facilmente como íons simples. Por outro lado, os estados de oxidação mais altos são encontrados em compostos com átomos eletronegativos, especialmente com O2-, ou fluoreto, F- . Se pode encontrar estados de oxidação formalmente negativos ou zero em compostos com ligantes que retirem densidade eletrônica do metal, como o CO, a bipiridina e outros.
Também se pode obter as seguintes conclusões sobre a estabilidade dos estados de oxidação:
  • os estados de oxidação mais estáveis estão entre +2 e +4;
  • os estados de oxidação mais altos podem ser oxidantes enérgicos, por isso tendem a a sofrer redução. Do mesmo modo, aqueles que apresentam estados de oxidação mais baixos podem ser redutores, com tendência de sofrerem oxidação.
Atividade catalítica:

Os metais de transição são empregados amplamente como catalisadores, tanto homogêneos como heterogêneos. Por exemplo, o ferro é utilizado para catalisar o processo de Haber ( para a síntese do amoníaco ), o níquel ou a platina para a hidrogenação de alcenos, etc.
Cor:
  • Devido a sua estrutura, os metais de transição apresentam numerosos íons e complexos coloridos. A cor pode mudar entre diferentes compostos de um mesmo elemento, por exemplo, o manganês com estado de oxidação +7 , MnO4-, é púrpura, embora o íon Mn2+ é rosa pálido.
Num complexo,formado por um metal de transição com vários ligantes, os níveis dos orbitais d não se encontram todos na mesma energia, devido ao efeito que exercem esses ligantes. Portanto, existem alguns níveis com mais energia e outros com menos energia. Quando irradiado com radiação eletromagnética de frequência adequada, esta é absorvida, provocando a transferência de um elétron de um nível de energia mais baixo para um nível de energia mais alto. Dependendo da diferença de energia existente entre os dois níveis, que depende do tipo de complexo, absorverá uma frequência ou outra, e portanto será observado uma cor ou outra.

A cor do complexo depende da:
  • natureza do íon metálico, concretamente do número de elétrons nos orbitais d;
  • disposição espacial dos ligantes em torno do íon metálico (por exemplo, os isômeros geométricos podem apresentar colorações diferentes);
  • natureza dos ligantes.
Os complexos formados pelo zinco, que rigorosamente não é um elemento de transição, são incolores, pois os orbitais 3d estão completos e, por isso, os seus elétrons não podem passar para outros níveis energéticos.

 Carboneto metálico

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Ferro - (Fe)

Minério de ferro


O ferro (do latim ferrum) é um elemento químico, símbolo Fe, de número atômico 26 (26 prótons e 26 elétrons) e massa atômica 56 u. À temperatura ambiente, o ferro encontra-se no estado sólido. É extraído da natureza sob a forma de minério de ferro que, depois de passado para o estágio de ferro-gusa, através de processos de transformação, é usado na forma de lingotes. Controlando-se o teor de carbono (o carbono ocorre de forma natural no minério de ferro), dá-se origem a várias formas de aço.
  • Este metal de transição é encontrado no grupo 8 (VIIIB) da Classificação Periódica dos Elementos. É o quarto elemento mais abundante da crosta terrestre (aproximadamente 5%) e, entre os metais, somente o alumínio é mais abundante.
É um dos elementos mais abundantes do Universo; o núcleo da Terra é formado principalmente por ferro e níquel (NiFe). Este ferro está em uma temperatura muito acima da temperatura de Curie do ferro, dessa forma, o núcleo da Terra não é ferromagnético.
  • O ferro tem sido historicamente importante, e um período da história recebeu o nome de Idade do ferro. O ferro, atualmente, é utilizado extensivamente para a produção de aço, liga metálica para a produção de ferramentas, máquinas, veículos de transporte (automóveis, navios, etc), como elemento estrutural de pontes, edifícios, e uma infinidade de outras aplicações.
Características:

É um metal maleável, tenaz, de coloração cinza prateado apresentando propriedades magnéticas; é ferromagnético a temperatura ambiente, assim como o Níquel e o Cobalto.
  • É encontrado na natureza fazendo parte da composição de diversos minerais, entre eles muitos óxidos, como o FeO (óxido de ferro II, ou óxido ferroso) ou como Fe2O3 (óxido de ferro III, ou óxido férrico). Os números que acompanham o íon ferro dizem respeito aos estados de oxidação apresentados pelo ferro, que são +2 e +3, e ele é raramente encontrado livre. Para obter-se ferro no estado elementar, os óxidos são reduzidos com carbono e imediatamente submetidos a um processo de refinação para retirar as impurezas presentes.
É o elemento mais pesado que se produz exotermicamente por fusão, e o mais leve produzido por fissão, devido ao fato de seu núcleo ter a mais alta energia de ligação por núcleon, que é a energia necessária para separar do núcleo um nêutron ou um próton. Portanto, o núcleo mais estável é o do ferro-56.


Linhas espectrais do ferro.

Apresenta diferentes formas estruturais dependendo da temperatura: 
  • Ferro α: é o que se encontra na temperatura ambiente, até os 788 °C. O sistema cristalino é uma rede cúbica centrada no corpo e é ferromagnético. 
  • Ferro β: 788 - 910 °C: tem o mesmo sistema cristalino que o α, porém a temperatura de Curie é de 770 °C, e passa a ser paramagnético. 
  • Ferro γ: 910 - 1400 °C: apresenta uma rede cúbica centrada nas faces. 
  • Ferro δ: 1400 - 1539 °C: apresenta uma rede cúbica centrada no corpo. 
Redução dos minerais que são óxidos:

Inicialmente, os óxidos de ferro são reduzidos na parte superior do alto-forno, parcial ou totalmente, com o monóxido de carbono, já produzindo ferro metálico. Exemplo: redução da magnetita:
Fe3O4 + 3CO → 3FeO + 3CO2
FeO + CO → Fe + CO2
Posteriormente, na parte inferior do alto-forno, onde a temperatura é mais elevada, ocorre a maior parte da redução dos óxidos com o coque (carbono):
Fe3O4 + C → 3FeO + CO
O carbonato de cálcio se decompõe:
CaCO3 → CaO + CO2
e o dióxido de carbono é reduzido com o coque a monóxido de carbono, como visto acima.
Na parte mais inferior do alto-forno ocorre a carburação:
3Fe + 2CO → Fe3C + CO2

Processos de enriquecimento:

Finalmente ocorre a combustão e a dessulfuração (eliminação do enxofre) devido à injeção de ar no alto-forno, e por último são separadas as frações: a escória do ferro fundido, que é a matéria-prima empregada na indústria do aço.
  • O ferro obtido pode conter muitas impurezas não desejáveis, sendo necessário submetê-lo a um processo de refinação que pode ser realizado em fornos chamados convertedores.
Em 2004, os cinco países maiores produtores de ferro eram a China, o Brasil, a Austrália, a Africa e a Rússia, com 74% da produção mundial.

Para criar o ferro forjado a partir do ferro-gusa, a liga é refundida e combinada com óxidos de metal que retiram uma parte do carbono, tornando a liga.

Compostos:

Os estados de oxidação mais comuns são +2 e +3. Os óxidos de ferro mais conhecidos são o óxido de ferro II (FeO), o óxido de ferro III (Fe2O3) e o óxido misto (Fe3O4). Forma numerosos sais e complexos com estes mesmos estados de oxidação. O hexacianoferrato II de ferro III, usado em pinturas, é conhecido como azul da Prússia ou azul de Turnbull. 
  • São conhecidos compostos de ferro com estados de oxidação +4, +5 e +6, porém são pouco comuns. No ferrato de potássio (K2FeO4), usado como oxidante, o ferro apresenta estado de oxidação +6. O estado de oxidação +4 é encontrado em poucos compostos e também em alguns processos enzimáticos. 
O Fe3C é conhecido como cementita e contém 6,67 % em carbono. O ferro α é conhecido como ferrita e a mistura de ferrita e cementita é denominada perlita ou ledeburita, dependendo do teor de carbono. A austenita é o ferro γ.

Isótopos:

O ferro tem quatro isótopos estáveis naturais: 54Fe, 56Fe, 57Fe e 58Fe. As proporções relativas destes isótopos na natureza são aproximadamente: 54Fe ( 5,8% ), 56Fe ( 91,7% ), 57Fe (2,2%) e 58Fe ( 0,3% ).

Aplicações:

O ferro é o metal mais usado, com 95% em peso da produção mundial de metal. É indispensável devido ao seu baixo preço e dureza, especialmente empregado em automóveis, barcos e componentes estruturais de edifícios.
  • O aço é a liga metálica de ferro mais conhecida, sendo este o seu uso mais frequente. Os aços são ligas metálicas de ferro com outros elementos, tanto metálicos quanto não metálicos, que conferem propriedades distintas ao material. É considerada aço uma liga metálica de ferro que contém menos de 2% de carbono; se a porcentagem é maior recebe a denominação de ferro fundido.As ligas férreas apresentam uma grande variedade de propriedades mecânicas dependendo da sua composição e do tratamento aplicado. 
Os aços são ligas metálicas de ferro e carbono com concentrações máximas de 2% em peso de carbono, aproximadamente. O carbono é o elemento de ligação principal, porém os aços contêm outros elementos. Dependendo do seu conteúdo em carbono são classificados em:
  • Aços baixos em carbono. Contêm menos de 0,25% de carbono em peso. Não são tão duros nem tratáveis termicamente, porém dúcteis. São utilizados em veículos, tubulações, elementos estruturais e outros. Também existem os aços de alta resistência com baixa liga de carbono, que, entretanto, contêm outros elementos fazendo parte da composição, até uns 10% em peso; apresentam maior resistência mecânica e podem ser trabalhados facilmente. 
Aços médios em carbono. Entre 0,25% e 0,6% de carbono em peso. Para melhorar suas propriedades são tratados termicamente. São mais resistentes que os aços baixos em carbono, porém menos dúcteis, sendo empregados em peças de engenharia que requerem uma alta resistência mecânica e ao desgaste.

  • Aços altos em carbono. Entre 0,60% e 1,4% de carbono em peso. São os mais resistentes, entretanto, os menos dúcteis. Adicionam-se outros elementos para que formem carbetos, por exemplo o carbeto de tungstênio (WC), quando é adicionado à liga o tungstênio. Estes carbetos são mais duros, formando aços utilizados principalmente para a fabricação de ferramentas. 
Um dos inconvenientes do ferro é que se oxida com facilidade. Existe uma série de aços aos quais se adicionam outros elementos ligantes, principalmente o crômio, para que se tornem mais resistentes à corrosão. São os chamados aços inoxidáveis. 
  • Quando o conteúdo de carbono da liga é superior a 2,1% em peso, a liga metálica é denominada ferro fundido. Estas ligas apresentam, em geral, entre 3% e 4,5% de carbono em peso. Existem diversos tipos de ferros fundidos: cinzento, esferoidal, branco e maleável. Dependendo do tipo apresenta aplicações diferentes: em motores, válvulas, engrenagens e outras. 
Por outro lado, os óxidos de ferro apresentam variadas aplicações: em pinturas, obtenção de ferro, e outras. A magnetita (Fe3O4) e o óxido de ferro III (Fe2O3) têm aplicações magnéticas. 

Ferro para construção civil

História:

Existem evidências de que o ferro era conhecido antes de 5000 a.C. Os mais antigos objetos feitos de ferro usado pela humanidade são alguns enfeites de siderito, feitos no Egito em aproximadamente 4000 a.C. A descoberta da fundição por volta de 3000 a.C. levou ao início da Era do Ferro por volta de 1200 a.C. e ao uso proeminente de ferro para ferramentas e armas.
Cada vez mais objetos de ferro, datados entre o segundo e terceiro milênio antes de Cristo, foram encontrados (estes se distinguem do ferro proveniente dos meteoritos pela ausência de níquel) na Mesopotâmia, Anatólia e Egito. Entretanto, seu uso provável destinou-se a fins cerimoniais, por ter sido um metal muito caro, mais do que o ouro na época. Algumas fontes sugerem que talvez o ferro fosse obtido como subproduto da obtenção do cobre.
  • Entre 1600 e 1200 a.C., observou-se um aumento de seu uso no Oriente Médio, porém não como substituto ao bronze.
Entre os séculos XII e X antes de Cristo, ocorreu uma rápida transição no Oriente Médio na substituição das armas de bronze para as de ferro. Esta rápida transição talvez tenha ocorrido devido a uma escassez de estanho, e devido a uma melhoria na tecnologia para trabalhar com o ferro. Este período, que ocorreu em diferentes ocasiões segundo o lugar, denominou-se Idade do ferro, substituindo a Idade do bronze. Na Grécia iniciou-se por volta do ano 1000 a.C., e não chegou à Europa ocidental antes do século VII a.C.. A substituição do bronze pelo ferro foi paulatina, pois era difícil produzir peças de ferro: localizar o mineral, extraí-lo, proceder a sua fundição a temperaturas altas e depois forjá-lo.
  • Na Europa central, surgiu no século IX a.C. a "cultura de Hallstatt" substituindo a "cultura dos campos de urnas", que se denominou "Primeira Idade do Ferro", pois coincide com a introdução do uso deste metal. Aproximando-se do ano 450 a.C., ocorreu o desenvolvimento da "cultura da Tène", também denominada "Segunda Idade do Ferro". O ferro era usado em ferramentas, armas e joias, embora se continue encontrando objetos de bronze.
Junto com esta transição de bronze ao ferro descobriu-se o processo de "carburação", que consiste em adicionar carbono ao ferro. O ferro era obtido misturado com a escória contendo carbono ou carbetos, e era forjado retirando-se a escória e oxidando o carbono, criando-se assim o produto já com uma forma. Este ferro continha uma quantidade de carbono muito baixa, não sendo possível endurecê-lo com facilidade ao esfriá-lo em água. Observou-se que se podia obter um produto muito mais resistente aquecendo a peça de ferro forjado num leito de carvão vegetal, para então submergi-lo na água ou óleo. O produto resultante, apresentando uma camada superficial de aço, era menos duro e mais frágil que o bronze.
  • Na China, o primeiro ferro utilizado também era proveniente dos meteoritos. Foram encontrados objetos de ferro forjado no noroeste, perto de Xinjiang, do século VIII a.C.. O procedimento utilizado não era o mesmo que o usado no Oriente Médio e na Europa.
Nos últimos anos da Dinastia Zhou (550 a.C.), na China, se conseguiu obter um produto resultante da fusão do ferro (ferro fundido). O mineral encontrado ali apresentava um alto conteúdo de fósforo, com o qual era fundido em temperaturas menores que as aplicadas na Europa e outros lugares. Todavia, durante muito tempo, até a Dinastia Qing (aos 221 a.C.), o processo teve uma grande repercussão.
  • O ferro fundido levou mais tempo para ser obtido na Europa, pois não se conseguia a temperatura necessária. Algumas das primeiras amostras foram encontradas na Suécia, em Lapphyttan e Vinarhyttan, de 1150 a 1350 d.C.
Na Idade Média, e até finais do século XIX, muitos países europeus empregavam como método siderúrgico a "farga catalana". Obtinha-se ferro e aço de baixo carbono empregando-se carvão vegetal e o minério de ferro. Este sistema já estava implantado no século XV, conseguindo-se obter temperaturas de até 1200 °C. Este procedimento foi substituído pelo emprego de altos-fornos.
No princípio se usava carvão vegetal para a obtenção de ferro, como fonte de calor e como agente redutor. No século XVIII, na Inglaterra, o carvão vegetal começou a escassear e tornar-se caro, iniciando-se a utilização do coque, um combustível fóssil, como alternativa. Foi utilizado pela primeira vez por Abraham Darby, no início do século XVIII, construindo em Coalbrookdale um "alto-forno". Mesmo assim, o coque só foi empregado como fonte de energia na Revolução industrial. Neste período a procura foi se tornando cada vez maior devido a sua utilização, como por exemplo, em estradas de ferro.
  • O alto-forno foi evoluindo ao longo dos anos. Henry Cort, em 1784, aplicou novas técnicas que melhoraram a produção.
Em finais do século XVIII e início do século XIX começou-se a empregar amplamente o ferro como elemento estrutural em pontes, edifícios e outros. Entre 1776 e 1779 se construiu a primeira ponte de ferro fundido por John Wilkinson e Abraham Darby. Na Inglaterra foi empregado pela primeira vez o ferro na construção de edifícios por Mathew Boulton e James Watt, no princípio do século XIX. Também são conhecidas outras obras deste século, como por exemplo, o "Palácio de Cristal" construído para a Exposição Universal de 1851 em Londres, do arquiteto Joseph Paxton, que tem uma armação de ferro, ou a Torre Eiffel, em Paris, construída em 1889 para a Exposição Universal, onde foram utilizadas milhares de toneladas de ferro.

Abundância e obtenção:

É o metal de transição mais abundante da crosta terrestre, e quarto de todos os elementos. Também é abundante no Universo, tendo-se encontrados meteoritos que contêm este elemento. O ferro é encontrado em numerosos minerais, destacando-se:
  • A hematita (Fe2O3), a magnetita (Fe3O4), a limonita (FeO(OH)), a siderita (FeCO3), a pirita (FeS2) e a ilmenita (FeTiO3).
  • Pode-se obter o ferro a partir dos óxidos com maior ou menor teor de impurezas. Muitos dos minerais de ferro são óxidos.
A redução dos óxidos para a obtenção do ferro é efetuada em um forno denominado alto-forno ou forno alto. Nele são adicionados os minerais de ferro, em presença de coque, e carbonato de cálcio, CaCO3, que atua como escorificante.
  • No processo de obtenção, geralmente é usada a hematita, que apresenta ponto de fusão de 1560 °C. Para que essa temperatura seja diminuída, é adicionado o carbonato de cálcio (CaCO3). Além de promover a redução do ponto de fusão da hematita, ele atua reagindo com impurezas presentes, como o dióxido de silício (SiO2), formando o metassilicato de cálcio (CaSiO3), conhecido como escória. O coque (carbono amorfo, com mais de 90% de pureza) é usado para promover a redução da hematita, transformando o Fe3+ em Fe(s). Inicialmente, o coque, em presença de excesso de O2 fornecido pelo ar, reage produzindo CO2. O dióxido de carbono assim produzido, e também o proveniente do carbonato de cálcio, reagem com o coque que é constantemente adicionado ao alto-forno, produzindo CO. Este, por fim, será o responsável por reagir com o Fe2O3, produzindo Fe(s) e CO2.
O processo de oxidação do coque com oxigênio libera energia. Na parte inferior do alto-forno a temperatura pode alcançar 1900 °C.

Miração e transporte de ferro

Papel biológico:

O ferro é encontrado em praticamente todos os seres vivos e cumpre numerosas e variadas funções. 
Há diferentes proteínas que contêm o grupo hemo, que consiste na ligação da porfirina com um átomo de ferro. Alguns exemplos: 
  • A hemoglobina e a mioglobina. A primeira transporta oxigênio, O2, e a segunda o armazena. A hemoglobina localiza-se dentro de células chamadas hemáceas ou glóbulos vermelhos, células essas constituintes do sangue; a cor do sangue é vermelha devido a este conter átomos de ferro. 
  • Os citocromos reduzem o oxigênio em água. Os citocromos P450 catalisam a oxidação de compostos hidrofóbicos, como fármacos ou drogas, para que possam ser excretados, e participam na síntese de diversas moléculas. 
  • As peroxidases e catalases catalisam a oxidação de peróxidos, H2O2, que são tóxicos. 
  • As proteínas de ferro/enxofre (Fe/S) participam em processos de transferência de elétrons. 
Também é possível encontrar proteínas onde os átomos de ferro se enlaçam entre si através de pontes de oxigênio. São denominadas proteínas Fe-O-Fe. Alguns exemplos: 
  • As bactérias metanotróficas, que usam o metano, CH4, como fonte de energia e de carbono, usam proteínas deste tipo, chamadas monoxigenases, para catalisar a oxidação do metano. 
  • A hemeritrina transporta oxigênio em alguns organismos marinhos. 
  • Algumas ribonucleotídeo redutases contêm ferro. Catalisam a formação de desoxinucleotídeos. 
Tanto o excesso como a deficiência de ferro podem causar problemas no organismo. O excesso de ferro é chamado de hemocromatose, enquanto que a sua deficiência é conhecida como anemia. A palavra anemia, apesar de estar popularmente associada à carência de ferro no organismo, não é utilizada unicamente para ela. Para a carência de ferro no organismo, cabe o nome específico de anemia ferropriva. Nas transfusões de sangue são usados ligantes que formam com o ferro complexos de alta estabilidade, evitando que ocorra uma queda demasiada de ferro livre. Estes ligantes são conhecidos como sideróforos. Muitos organismos empregam estes sideróforos para captar o ferro de que necessitam. Também podem ser empregados como antibióticos, pois não permitem ferro livre disponível.
  • Sua carência nos humanos pode causar, além da anemia, anorexia, sensibilidade óssea e a clima frio, prisão de ventre, distúrbios digestivos, tontura, fadiga, problemas de crescimento, irritabilidade, inflamação da língua.
  • Seu excesso (em nível de nutriente) nos humanos pode causar: igualmente anorexia, tontura, fadiga e dores de cabeça.
O tanino presente no chá e café inibem, em 64 e 33% respectivamente, a absorção de ferro. O magnésio inibe a absorção de ferro quando a presença do primeiro é 300 vezes maior do que a do ferro, o zinco quando cinco vezes maior e o cálcio em quantidades superiores a 500 mg, embora a influência do cálcio ainda seja discutida.

A deficiência de vitamina A inibe a utilização do ferro.
Polifenóis se ligam ao ferro e impedem sua absorção.
Aspectos nutricionais e metabólicos

O ferro é um dos elementos mais facilmente encontráveis na superfície da Terra, mas mesmo assim, sua deficiência é a causa mais comum de anemia, afetando cerca de 500 milhões de pessoas em todo mundo. Isso se deve à capacidade limitada do organismo na absorção de ferro e à frequência da perda de ferro por hemorragia do sistema digestório (úlcera, colite, diverticulite, câncer), menstruação abundante, verminose, múltiplas gestações, estirão de crescimento.

Os aminoácidos do feijão estimulam o fortalecimento e crescimento dos fios e é rico em ferro.

Absorção:

A fonte alimentar do ferro pode ser encontrada em inúmeros alimentos: couve, algas marinhas, brócolis, flocos de aveia, canela moída, grãos integrais ou enriquecidos; nozes; castanhas; feijão vermelho; frutas secas, figo seco, tofu frito com azeite, entre muitos outros. O uso de panelas e recipientes de ferro também contribui para aumentar a ingestão de ferro.
  • A absorção do ferro, especialmente de origem animal, é aumentada com a ingestão conjunta de alimentos levemente ácidos (ou proteínas) e também por alimentos ricos em ácido ascórbico (vitamina C). Estudos indicam que a absorção de ferro aumenta de 3,7 para 10,4% quando se adiciona a ingestão de 40 a 50 mg de vitamina C, por mantê-lo solúvel. Alguns açúcares como a frutose também colaboram para a absorção de ferro.
A vitamina C auxilia o organismo na absorção de ferro.

Distribuição e transporte no organismo:
  • O transporte e armazenamento do ferro é mediado por três proteínas - transferrina, receptor de transferrina e ferritina. A transferrina pode conter até dois átomos de ferro. Ela entrega o ferro aos tecidos que têm receptores de transferrina, especialmente eritoblastos na medula óssea, que incorporam o ferro na hemoglobina. A transferência então é reutilizada. No final da sobrevida, ou seja, 120 dias, os eritrócitos são destruídos nos macrófagos do sistema reticuloendotelial dentro do baço; o ferro é liberado da hemoglobina, entra no plasma e fornece a maioria do ferro da transferrina. Somente uma pequena porção do ferro da transferrina plasmática vem da dieta, absorvido no duodeno e no jejuno.
Algum ferro é armazenado nas células reticulares endoteliais, como a ferritina e hemossiderina, em quantidades muito variáveis, conforme a situação das reservas desse elemento no organismo. Em geral a ferritina é um complexo proteico hidrossolúvel de ferro com peso molecular 465 000, é formada de uma concha proteica externa, a apoferrina, que consiste de 22 subunidades, e de um núcleo de hidroxifosfato de ferro. Contém até 20% em peso de ferro e não é visível à microscopia óptica. Cada molécula de apoferrina pode ligar até 4 000 a 5 000 átomos de ferro. A hemossiderina é um complexo proteico insolúvel de ferro, de composição variável, contendo cerca de 37% em peso de ferro. É derivada da digestão lisossômica parcial de agregação de moléculas de ferritina e visível à microscopia óptica nos macrófagos e em outras células após coloração com Perls (azul da Prússia). O ferro na ferritina e na hemossiderina estão na forma férrica (Fe(III)). Uma enzima que contém cobre, a ceruloplasmina, catalisa a oxidação do ferro para a forma férrica para a ligação na transferrina plasmática.
  • O ferro também está presente nos músculos, como na mioglobina, e na maioria das células do organismo em enzimas que contêm ferro, como, p. ex., citocromos, desidrogenase succínica, catalase, etc. O ferro tissular tem menos probabilidade de ser depletado que a hemossiderina, a ferritina e a hemoglobina em estado de deficiência de ferro, mas pode ocorrer alguma redução no conteúdo de enzimas contendo heme.
Os níveis de ferritina e os de receptor de transferrina (TfR) correlacionam-se com as reservas de ferro, de modo que a sobrecarga de ferro causa aumento na ferritina tissular e queda no TfR, enquanto na deficiência de ferro a ferritina é baixa, e o TfR, alto. Essa relação surge por intermédio da ligação de uma resposta ao ferro (IREs) na ferritina e nas moléculas de mRNA de TfR. A deficiência de ferro aumenta a capacidade de a IRP ligar-se aos IRES, enquanto a sobrecarga diminui a ligação. O sítio de ligação de IRP em IREs, a montante (5') ou jusante (3') do gene codificador determina aumento ou diminuição da mRNA e, portanto, de proteína.

Necessidades:

A quantidade diária de ferro necessária para compensar tanto perdas do organismo como o crescimento varia com a idade e o sexo; é maior na gravidez, na adolescência e nas mulheres que menstruam. Esses grupos, portanto, são particularmente suscetíveis a desenvolver deficiências de ferro quando há perda adicional ou diminuição prolongada da ingestão.

Características clínicas:

Quando há deficiência de ferro os depósitos reticuloendoteliais (hemossiderina e ferritina) são totalmente depletados antes que ocorra anemia. À medida que a doença evolui, o paciente pode ter sinais e sintomas gerais de anemia como cansaço fácil, fraqueza, irritabilidade, indisposição, sonolência, cefaleia, dor nas pernas e apresentar glossite indolor, estomatite angular, unhas friáveis ou em colher (coiloníquia), cabelos finos, secos e quebradiços, pele seca, esclerótica azulada, mucosas descoradas, disfagia como resultado de membranas faríngeas (Síndrome de Paterson-Kelly ou Plummer-Vinson) e perversão do apetite. A causa das alterações epiteliais não é clara, mas pode ser relacionada à diminuição de ferro nas enzimas que o contêm. Em crianças, a deficiência de ferro é sobremaneira significativa porque causa irritabilidade, má função cognitiva e diminuição no desenvolvimento psicomotor.

Causa de deficiência:

Perda crônica de sangue, especialmente uterina e no trato gastrointestinal, é a causa dominante nos adultos. Na infância as causas mais comuns são: nascimento prematuro, gemelaridade, anemia materna durante a gravidez, perda de sangue durante o parto pelo cordão umbilical, pouco aleitamento materno, dar leite ou derivado durante ou logo após refeições.

Tratamento:

Sempre que possível, tratar a causa. Além disso, deve-se administrar ferro via oral, intra-muscular ou endovenosa para corrigir a anemia e repor os depósitos. A via oral pode causar cólica, náusea, constipação ou diarreia ou escurecimento dos dentes, mas isso é reversível após a suspensão do medicamento. A via intramuscular deve ser aplicada profundamente e é muito dolorosa. A via endovenosa deve ser feita diluindo a ampola em soro fisiológico e aplicada em no mínimo 30 minutos.

Precauções:

O ferro em excesso é tóxico. O ferro reage com peróxido produzindo radicais livres. A reação mais importante é:
Fe (II) + H2O2 → Fe (III) + OH- + OH·

Porém esta mesma reação pode ter aplicação científica e industrial, na chamada Reação de Fenton.
Quando o ferro se encontra nos níveis normais, os mecanismos antioxidantes do organismo podem controlar este processo.
  • A dose letal de ferro em crianças de 2 anos é de 3 gramas. 1 grama pode provocar um envenenamento importante.
O envenenamento por ferro é denominado hemocromatose. O ferro em excesso se acumula no fígado, provocando danos neste órgão.

Torno de ferro

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A abertura de mercado e a Industria siderúrgica

Aciaria da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, onde é feita a transformação de ferro líquido em aço líquido.

  • Procuraremos analisar os impactos do processo de abertura econômica durante a década de 90 na economia brasileira e seus efeitos imediatos no caso específico da siderurgia. Inicialmente, será feito um apanhado geral até o fim da década de 80, e em seguida, analisado o processo de abertura econômica brasileira que se iniciou na década de 90 durante o Plano Collor e suas respectivas mudanças em vários setores da política econômica, dentre elas a política cambial, a queda das barreiras alfandegárias, o processo de reestruturação das empresas e também a especialização. 
Além disso,será avaliado o comportamento da taxa de formação bruta de capital fixo ao longo da década, sendo que este estudo, entretanto, terá como enfoque principal, as conseqüências dessas alterações no setor siderúrgico brasileiro. 
  • Baseada num sistema de regimes especiais de importações, barreiras não-tarifárias e por uma substancial estabilidade das alíquotas, a economia brasileira, antes das transformações, guiava-se desde a década de 50 por um modelo baseado no sistema de substituição de importações, como forma de proteger e fortalecer a indústria local, intensificar seu raio de ação sobre o mercado interno e com isso, obter vantagens em relação aos produtos estrangeiros.
Este modelo, durante o fim da década de 80 e inicio da de 90, passou por duras criticas quanto as suas conseqüências no que diz respeito às inovações tecnológicas e à competitividade, principalmente pela nova corrente neoliberal que se firmava internacionalmente, em que o papel do Estado na economia deveria ser apenas de regulador e fornecedor de bens básicos à sociedade. 
  • Diante da alteração nos padrões de desenvolvimento, mudanças importantes na estrutura produtiva, financeira e comercial brasileira ocorreram, influenciadas por alterações políticas que se iniciaram com a subida do presidente Fernando Collor ao poder em 1990, e que se confirmaram com a implementação do Plano Real em 1994 por FHC.
No período compreendido de 1988 a 1993, eliminaram-se as principais barreiras não-tarifárias e muitos regimes de importação foram abolidos, com exceção do drawhack. Foram reduzidos os tributos incidentes sobre as compras externas e também o nível de proteção da indústria local. 
  • Após a instituição do Plano Real em 1994, a política de importações passou a se subordinar ao processo de estabilização vigente. O processo de estabilização implantado, que se baseava primordialmente em volumes maciços de capitais de curto prazo, necessitava que fosse mantida a âncora cambial para controlar a inflação. Entretanto, isso contribuía para aumentar a vulnerabilidade externa do Brasil frente às oscilações internacionais.
Diferentemente da década de 80, que foi marcada pela exígua transferência de recursos para a América Latina, a década de 90 caracterizou-se pela enxurrada de capitais que buscavam valorização pelas altas taxas de juros impostas e também pela falta de controles à entrada e saída desses capitais. 
  • A abertura econômica comercial e financeira, que teve reflexos imediatos, levou a conseqüências, entretanto, nada animadoras para a economia brasileira como desequilíbrios externos, baixas transferências de recursos para investimento, tendência à valorização cambial, prejuízos às exportações, aumento nos níveis de desemprego e também queda de competitividade em muitos setores da indústria brasileira.
Adernais, devemos considerar os efeitos advindos do grande processo de privatização de áreas importantes da economia brasileira, principalmente nos anos de 1996,1997 e 1998, como transportes, telecomunicações e eletricidade. 
  • Diferentemente de muitas visões sobre a globalização e seus efeitos positivos sobre a sociedade, o que assistimos, no caso brasileiro, foram desarranjos estruturais no balanço de pagamentos, fragilidade financeira, perdas substanciais em infra-estrutura e também na indústria.
Faremos uma discussão geral sobre o contexto econômico existente no fim da década de 80 e as transformações ocorridas durante a década de 90 por conta do processo de abertura econômica. 
  • O caso específico da siderurgia. Identificaremos a estrutura do mercado, o processo produtivo, as estatísticas atuais do setor, as mudanças estruturais ocorridas e seus principais dilemas. Serão revistos fenômenos importantes, como o processo de fusões e aquisições (F&A), as medidas protecionistas internacionais, o dinamismo da economia chinesa e as conseqüências sobre a indústria nacional.
Analisaremos ainda duas visões conflitantes acerca dos efeitos da abertura econômica sobre a siderurgia, sendo que seu cerne se concentrará na questão do investimento. A visão de Antônio Barros de Castro, Lídia Goldstein e José Roberto Mendonça de Barros, acerca dos investimentos em modernização (que foi denominado de "Catch up''), defende a reestruturação das empresas mediante novos processos gerenciais e qualidade, adernais, investimentos direcionados à compra de equipamentos de maior tecnologia,capazes de ampliar a competitividade da indústria siderúrgica brasileira. 
  • Entretanto, a visão de Luciano Coutinho e Ricardo Carneiro mostra que a abertura econômica, do modo pela qual foi realizada, promoveu '"Especialização Regressiva" a queda de elos produtivos, principalmente daqueles intensivos em tecnologia e capital, a queda do nível de emprego, a desnacionalização da propriedade pelo processo de Fusões e Aquisições e também, mudanças quanto ao destino das exportações nacionais. Para isso, utilizaremos dados atuais acerca do desempenho econômico do setor ao longo da década e também uma ampla revisão bibliográfica. Por fim, na conclusão os resultados serão analisados, verificando se o que foi feito na indústria siderúrgica foi suficiente ou não para que nos dias atuais evitassem-se deficiências produtivas. Adernais, discutiremos quais as possíveis soluções para o setor, bem corno a necessidade de mudança de visão atual enfatizando a questão do investimento em P&D, qualificação profissional, competitividade e também maior harmonia entre Estado e sociedade quanto às medidas de política macroeconômica adotadas e seus impactos.

Transformação do ferro em aço

Contexto histórico:
  • Desde a era Vargas até o fim da década de 80, o Brasil se pautou num sistema econômico voltado para a substituição de importações como forma de incrementar e proteger a economia nacional. Na tentativa de impedir a concorrência externa, foram colocadas inúmeras barreiras comerciais às importações brasileiras. 
A quebra do modelo anterior de dependência externa, de uma economia predominantemente baseada na atividade agrícola para um modelo voltado para o mercado interno, fez com que o Brasil alterasse significativamente sua pauta de importações. Anteriormente importados, os bens de consumo seriam fabricados internamente. Nesse caso, fez-se necessária a produção de bens intermediários e de capital destinados à produção desses produtos.
  • Apesar das inúmeras críticas a sua dinâmica, como por exemplo, as descontinuidades produtivas, pois muitos setores tinham capacidade de importação reduzida, tornaram a industrialização incompleta ou restringida. Vemos que a indústria de transformação cresceu sua participação no PIB de 19% em 1955 para 30% em 1990. Essa taxa de crescimento proporcionou à economia elevação do PIB em média de 6,3% a.a. e também à diversificação da pauta de exportações no período. 
Durante a época de 1950-80 o Brasil cresceu a urna taxa média de 7,4% a.a. e somente em 4 anos cresceu a taxas abaixo de 4%. Esse crescimento econômico significativo ocorreu basicamente por três fatores
  • Participação direta do Estado financiando infra-estrutura e insumos básicos; 
  • Crédito a novos projetos; 
  • Proteção à indústria nacional por meio de proteção tarifária e não-tarifária; 
Conforme a CEP AL, o relacionamento comercial dos países agrário-exportadores com o resto do mundo tendia a se deteriorar, pois os produtos primários valiam cada vez menos em relação aos produtos contendo tecnologia mais avançada. Defendida pela CEP AL, a industrialização dos países retardatários fazia-se necessária. 
Dessa forma, o Estado brasileiro assumiu os papéis de indutor, empreendedor e gerenciador da industrialização. Ademais, convém destacar as conseqüências negativas advindas da Crise de 1929 na economia internacional e que se refletiram no Brasil. 
  • Devido à queda no nível de renda a uma taxa entre 25 a 30%, elevação em 33% dos preços dos produtos importados e redução das importações no patamar de 60%, o Brasil estava diante de um cenário inédito em sua economia: construir condições e estruturas minimas que atendessem às demandas do mercado interno. 
Havia a necessidade, portanto, de existir formação de capital suficiente para o conjunto de investimentos no país. 
" ( . .) o fator dinâmico principal, nos anos que se seguem à crise, passa a ser, sem nenhuma dúvida o mercado interno ... ". 
Diante disso, o governo foi forçado a intervir no mercado e proporcionar o seu avanço mediante medidas de proteção à indústria nascente e posteriormente, a intensificar o desenvolvimento, assim corno foi feito durante o governo de Juscelino Kubitschek
  • O planejamento estatal e a intensificação do processo desenvolvimentista baseado na indústria alcançaram seu auge nas décadas de 50 e 60. Porém, as melhores taxas de crescimento da economia ocorreram durante ""0 Milagre Econômico" no início dos anos 70, mantendo-se até 1980, quando foram abortadas pela escassa liquidez internacional (advindos dos efeitos negativos do choque do petróleo, da politica econômica recessiva dos EUA e da crise da dívida externa da periferia). 
Apesar do incentivo dado à industrialização, muitos de seus ramos não alcançaram escalas suficientes para auferir ganhos com transferência de tecnologia, não obtendo assim, viés exportador. Dessa forma, o setor privado centralizava suas ações no mercado interno, por meio de endividamento crescente junto ao Estado, e as estatais buscavam recursos através de empréstimos externos.
  • Enquanto que durante a década de 70 o governo convivia com inflação alta, mas que até então não havia prejudicado a economia, pois esta se situava numa trajetória de crescimento, foi na década de 80 que encontramos o maior número de tentativas em impedir o avanço geral dos preços e combater o componente inercial da inflação. Entre 1986 e 1991 tivemos cinco choques (Plano Cruzado, Bresser, Verão, 
Collor I e Collor 11), sendo que todos eles fracassaram. O combate à inflação tomou-se necessário, pois a crise internacional e o li choque do petróleo no fim da década de 70 aprofundaram o cenário econômico restritivo, de forma a não existir mais na década de 80 o mesmo montante de crédito internacional disponível ao investimento que a década anterior.
  • Diante do cenário de incerteza, o Brasil adotou a política sugerida pela ortodoxia e se pautou, durante a primeira metade da década de 80, no controle das despesas governamentais e também das Estatais, além de aumentar arrecadação de impostos (IR e IOF) e contrair a liquidez real e o crédito. Apesar dessas medidas, a inflação continuava a crescer violentamente. 
Ademais, durante esse período, especificamente em 1982, a moratória mexicana aumentou a pressão sobre o balanço de pagamentos, afetado fortemente pelas crescentes despesas com o pagamento de juros da dívida, chegando a US$ 11,4 bilhões nesse ano.
"(..) os pagamentos líquidos de juros aumentaram de US$ 2, 7 bilhões em 1978 para US$ 11,4 bilhões em 1982, fato que se reflete não apenas a acentuada elevação das taxas de juros internacionais, mas também o rápido crescimento da dívida líquida e os spreads mais altos pagos pelos tomadores de empréstimos depois de 1980. O custo médio da divida subiu, em termos nominais, de 10,9% em 978 para 21,1% em 1983 e de 3,3% para 14,2% em termos reais". 
Por conta do fechamento do mercado financeiro internacional o Brasil teve então de buscar recursos junto ao FMI de forma a renegociar suas dívidas, que até então, cresciam aceleradamente devido aos gastos realizados na década passada, como a implantação do 11 PND, e também, aos empréstimos realizados no exterior (petrodólares) pelas estatais.
  • Enquanto isso, atrelada à política de contração da demanda, a maxidesvalorização cambial de 30%, e o choque agrícola aumentou a inflação no período. Já o PIB caiu em 2,8%, o produto industrial em 5,2% e a taxa de desemprego nessa área ficou em torno de 7,5%. 
O país desejava a renegociação de suas dívidas com o FMI e os bancos internacionais, por sua vez, buscavam diminuir seu grau de exposição frente aos países subdesenvolvidos, como o Brasil que tinham riscos elevados. Além disso, a moratória mexicana prejudicou a economia brasileira, pois diminuiu as exportações e as importações, e também deteriorou as contas externas, dificultando o financiamento do déficit, e tomando as reservas líquidas do pais negativas em mais de US$ 2 bilhões.
  • Como podemos ver abaixo, além da dívida externa, que foi crescendo anualmente pelo pagamento de seus serviços, a dívida interna também sofreu elevação, dada a estatização da dívida externa pelo governo, dando origem ao que foi chamado de "crise fiscal do Estado". 
Ademais, devemos lembrar o intenso movimento de especulação financeira que pairava sobre o cenário da época. V árias empresas auferiam maiores lucros com a especulação do que com seus resultados operacionais. A indexação da economia, através, da rentabilidade dos títulos públicos, (que apresentavam risco nulo e eram protegidos contra a desvalorização provocada pela inflação), tomou esses ativos de primeira linha, pois determinavam a taxa mínima de rentabilidade no mercado. Isso aos poucos passou a se tornar um dos principais processos de alimentação da inflação, que incorporavam no cálculo desses ativos as expectativas futuras de inflação.
  • Vemos, enfim, que a primeira metade da década de 80 (1981-1984) foi marcada por políticas de estabilização de orientação ortodoxa, com intuito de promover o ajustamento externo, sem conseguir evitar efetivamente a escalada da inflação. Somente a partir da segunda metade da década (1985-1989) é que a política econômica concentrou-se no combate inflacionário. Diversas políticas de orientações ortodoxas e heterodoxas foram adotadas, embasadas principalmente em teorias que explicavam a origem do avanço do nível geral de preços (teoria da inflação inercial). 
As elevadas taxas de inflação preocupavam o governo e também a constituição de sua coalizão política. A inflação oficial alcançou 13,4% em dezembro de 1985 e 16,2% em janeiro de 1986. Nesse mesmo ano, o Cruzado foi implementado, promovendo uma reforma monetária, em que trocava o Cruzeiro pelo Cruzado.
  • Por meio de inúmeras medidas, como: sincronização das diversas periodicidades dos reajustes de preços e salários, através de regras específicas, conversão do valor médio dos salários em Cruzados, abono de 8%, gatilho salarial, e o congelamento de preços ao consumidor, a taxa de inflação caiu efetivamente no curto prazo, e o congelamento tomou-se o elemento mais popular do Plano. 
A elevação no poder de compra e a subseqüente explosão do consumo, influenciada por políticas de elevação do crédito pessoal e do efeito riqueza, foram as conseqüências da adoção dessas medidas.
  • Pressões de demanda, reajustes de tarifas públicas e formação de mercados paralelos foram outras dificuldades encontradas. Por conta do congelamento, o governo afetou as empresas estatais, as finanças públicas e as contas externas, porque congelou também a taxa de câmbio e diminuiu as reservas internacionais, prejudicando o pagamento do serviço da dívida externa brasileira. 
Em virtude das eleições, o governo postergou a decisão de contrair a demanda agregada e elevou os compulsórios, porém isso se mostrou ineficaz e de pequena amplitude. Após o período eleitoral, o Plano Cruzado 11 foi implementado corno forma de resolver o problema fiscal que surgiu. Para isso, aumentou os impostos sobre cigarros, bebidas, automóveis e preços públicos. Os salários perderam novamente seu poder de compra e a saída desorganizada do congelamento impulsionou a volta da memória inflacionária, juntamente com a indexação via correção monetária mensal. Por conta disso, o balanço de pagamentos foi duramente afetado, e o Plano naufragou rapidamente.
  • Sobe ao poder o ministro da Fazenda Bresser Pereira, que lançou o conhecido Plano Bresser de modo a controlar os índices de preços e evitar a hiperinflação. Para isso, extinguiu-se o gatilho salarial, cortaram-se gastos do governo e as taxas de juros foram elevadas, de modo a inibir o consumo. Salários e aluguéis foram congelados e o câmbio desvalorizado diariamente. 
No entanto, a falta de credibilidade no Plano, desequilíbrios de alguns preços relativos e principalmente, falta de investimentos no setor produtivo, que observava os recursos se dirigirem ao mercado financeiro pelas altas taxas de juros pagas, levaram ao fracasso do Plano.
  • Apesar de posteriormente terem sido adotadas políticas de cunho ortodoxo, corno a política do "feijão-com-arroz" (Plano Mailson) e mistas (ortodoxas e heterodoxas) como o Plano Verão, a credibilidade no governo Sarney encontrava-se muito abalada diante desse histórico repleto de choques e planos econômicos malogrados. 
A inflação continuou a crescer de forma violenta e os juros altos comprimiam as contas públicas.O processo de desindexação da economia não trouxe bons resultados e em 1989 o governo suspendeu o pagamento de juros da divida externa brasileira por conta do saldo comercial. A inflação anual de 1989 totalizou 1.764,86% e nos primeiros meses de 1990 chegou a 64,17% Ganeiro), 73,21% (fevereiro) e 85,12% (somente na primeira quinzena de março).
  • É nesse contexto que Fernando Collor assume o governo e inicia um novo plano de estabilização econômica, o chamado "Plano Collor", que trouxe impactos significativos à economia brasileira, mas que não evitou o fracasso no que se refere ao combate da :inflação. Esse Plano combinou o confisco de depósitos à vista e aplicações financeiras com prefixação da correção dos preços e salários, câmbio flutuante, elevação da tributação sobre as aplicações financeiras e também a reforma administrativa, que se caracterizou pelo fechamento de muitos órgãos públicos e demissão de grande quantidade de funcionários. 
A inflação não foi contida e, em vista disso, foi lançado o Plano Collor 11. Um novo congelamento de preços e salários foi realizado (unificando-se as datas-base dos reajustes salariais) além de reforçar ações de contração fiscal e monetária. Esse plano econômico também fracassou meses depois, dando lugar a urna política de juros extremamente altos na gestão de Marcílio Marques Moreira.
  • Devido a isso, o período de 1990 a 1992 foi marcado por uma intensa recessão, queda dos salários reais e da massa salarial, e também, aumento do desemprego. A falta de apoio da opinião pública em virtude de denuncias de corrupção e os efeitos negativos do confisco levaram ao impeachment do presidente. 

Indústria siderúrgica foi um dos setores que passou a utilizar mais sua capacidade produtiva.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O Minério de ferro e a Indústria Siderúrgica

China prevê importação recorde de minério de ferro (2014)
  • O vice-secretário geral da Associação de Ferro e Aço da China (Cisa, em inglês), Li Xinchuang, disse que as importações de minério de ferro devem crescer para um recorde de 870 milhões de toneladas neste ano.
  • Li afirmou que, apesar da reestruturação forçada da indústria, há demanda suficiente por aço proveniente das construtoras em pequenas cidades. Ele projetou um crescimento de cerca de 3% na produção de aço da China, para um número também recorde de 815 milhões de toneladas. A Cisa, controlada pelo governo, não vê uma desaceleração doméstica significativa à frente, mas o ritmo de crescimento na indústria siderúrgica irá desacelerar, disse.
  • Li ainda complementou que a China provavelmente verá mais importações de minério de ferro de projetos da China na África, em comparação com os tradicionais fornecimentos do Brasil e da Austrália. Fonte: Dow Jones Newswires.
Características da Indústria Siderúrgica
A produção de aço pode ser simplificada em cinco etapas:
  1. Tratamento da matéria-prima: nessa etapa ocorre uma “purificação” do carvão siderúrgico com o objetivo de torná-lo altamente concentrado em carbono e, por isso, com grande poder calorífico; o resultado disso é o coque.
  2.  Ferro-Gusa: nessa fase há a redução do minério de ferro, utilizando o coque metalúrgico e outros fundentes, que misturados com o minério de ferro são transformados em ferro gusa. A reação ocorre no equipamento denominado Alto Forno. O resíduo formado pela reação, a escória, é vendida para a indústria de cimento. Após a reação, o ferro gusa na forma líquida é transportado nos carrostorpedos (vagões revestidos com elemento refratário) para uma estação de dessulfuração, onde são reduzidos os teores de enxofre a níveis aceitáveis.Também são feitas análises da composição química da liga (carbono, silício, manganês, fósforo, enxofre) e, a seguir, o carro torpedo transporta o ferro gusa para a aciaria, onde será transformado em aço.
  3.  Aço: o ferro-gusa é transportado para grandes panelas onde é misturado com sucata de aço com o objetivo de remover o carbono que ainda restava no process O resultado é o aço líquido.
  4. Lingotamento: no processo de lingotamento contínuo o aço liquido é transferido para moldes onde se solidificará.O veio metálico é continuamente extraído por rolos e após resfriado é transformado em placas rusticas através do corte com maçaricos. O resultado do processo são produtos semi-acabados como tarugos perfis ou placas para subsequente laminação.
  5. Laminação: os produtos semi-acabados devem passar pelo processo de laminação podendo se quente ou frio, onde se transforma em produtos de aço acabados como fios, tubos sem costura, folhas laminadas tubos com costura etc.
Existem dois caminhos diferentes para a produção de aço BOF (basic oxygen furnace) e EAF (eletric arc furnace). A rota BOF segue todas as etapas descritas acima.O EAF utiliza outros insumos, utiliza a sucata para realizar redução direta, parte das etapas 3 a 5 descritas acima. Segundo dados do WorldSteel a produção via BOF a cerca de 71%, enquanto EAF e outros 29%, Apesar de contar com a maioria da produção, o processo via BOF ainda possui menos vantagens que o EAF que tem como característica maior produtividade e menores gastos com energia elétrica No entanto, o EAF depende majoritariamente da oferta de sucata.
  • É possível notar a predominância histórica da produção de aço bruto via BOF em relação a outros processos produtivos. Dessa forma, é possível afirmar que com o crescimento da produção de aço bruto via fornos BOF houve maior demanda pelas commodities utilizadas nessa rota siderúrgica uma vez que nesse processo há utilização de mais ou menos 1,5 toneladas de minério de ferro e outros insumos para obtenção do aço bruto.
Na etapa 3 é o momento em que o aço ganha especificidade de acordo com o seu uso. O resumo de cada tipo de aço produzido é apresentado no quadro 1 com destaque para o Aço Carbono.
  • Além das etapas descritas acima, os produtos acabados do aço podem, ainda, ser divididos em aços planos e aços longos. Aços planos são chapas e bobinas utilizados em sua grande parte na indústria automobilística, indústria de bens de capital, linha branca. Os aços longos são barras, perfis, fio máquina, vergalhões, arames e tubos sem costura utilizados em sua grande parte na construção civil.

CSN tem forte queda no lucro líquido do 2º tri, a R$19 mi

  • A Companhia Siderúrgica Nacional anunciou nesta segunda-feira uma forte queda no lucro líquido do segundo trimestre deste ano, resultado que também ficou abaixo das expectativas do mercado.
  • A companhia teve lucro líquido de 19 milhões de reais no segundo trimestre, queda de 96 por cento sobre o mesmo período do ano anterior. O lucro ficou abaixo da expectativa de 143 milhões de reais, segundo estimativa média de analistas consultados pela Reuters.
  • O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da CSN somou 1,3 bilhão de reais, alta de 19 por cento na comparação anual, ajudado pelos segmentos de siderurgia e mineração. O Ebitda ficou ligeiramente acima da expectativa de analistas de 1,2 bilhão de reais.
  • A margem Ebitda consolidada foi de 30 por cento, ou 6 pontos percentuais acima da registrada no segundo trimestre de 2013.
  • As vendas de cimento da companhia no segundo trimestre atingiram 564 mil toneladas, gerando receita líquida de 113 milhões de reais e um Ebtda de 34 milhões, recordes para a CSN, afirmou a companhia.
  • Já o Ebtda ajustado de siderurgia atingiu 793 milhões de reais, alta de 28 por cento na comparação anual.
  • A receita líquida da companhia somou 4,05 bilhões de reais, praticamente estável em relação aos 4,06 bilhões do segundo trimestre de 2013.
  • Já o resultado financeiro líquido foi negativo em 815 milhões de reais, principalmente por encargos de empréstimos no total de 691 milhões, despesas com atualização monetária de parcelamentos fiscais de 40 milhões, outras despesas financeiras de 76 milhões e variações cambiais de 61 milhões de reais.
Estatísticas da Indústria Siderúrgica:
  • O objetivo é mostrar que a partir dos anos 90 e, principalmente, da década de 2000 houve grande aumento não só da produção de aço no mundo mas que esse aumento foi puxado pelas siderúrgicas do BRIC e pela tendência de consumo de aço nestes países.
Como já descrito na sessão anterior a rota siderúrgica que consome minério de ferro é a chamada BOF, que por sua vez teve maior crescimento entre os processos produtivos.Outra importante série a ser analisada é o aumento da  produção de aço bruto e a participação dos BRICS no aumento da produção mundial.
  • Como é possível observar a produção de aço bruto cresceu significativamente na década de 2000, cerca de 80% em todo o período.Com exceção do momento de crise internacional, a produção mundial cresceu 5% nos últimos 11 anos .Tal constatação se deve principalmente ao excelente ritmo de crescimento dos BRICS, que nos 20 anos analisados apresentam uma correlação de 97% em relação em relação a industria siderúrgica.mundial. Apesar disso a produção siderúrgica dos BRICS cresceu muito mais do que os 80% obtidos pela produção mundial. Nesse período o grupo de países alcanço mais de 260% de crescimento .
No entanto, é notável que o aumento da participação dos BRICS na produção mundial de aço bruto ocorreu por conta dos chineses. Como já descrito. O país asiático foi o que demonstrou maiores variações em formação bruta de capital fixo em setores os quais predominam o uso do aço, bens de capital que utilizam em sua grande maioria aços plano e em setores de construção civil ricos na utilização de aços longos presentes nas estruturas de edifícios, pontes, etc
  • É possível observar que os BRICS como grupo cresceram consideravelmente em relação ao “Resto do Mundo”. No entanto, com a abertura dos dados conclui-se que a China liderou o crescimento aparente que é dado por  (Importação + Produção –Exportação) de aços. A China cresceu por volta de 735% no período de 1995-2011, enquanto o grupo “BRI” cresceu 350% e o Resto do Mundo apenas 30,58%. Sendo assim, da mesma forma que o alto ritmo de crescimento da produção de aço no mundo, se deu por conta dos BRICS, especialmente a China, o consumo de aço, aqui calculado como uma somatória de aços planos e aços longos cresceram puxado por esses países.
A entrada do país asiático na OMC movimentou todo o mercado de commodities, com  destaque as intensivas em metálicos.Em um primeiro momento os chineses tiveram um grande déficit em sua balança comercial siderúrgica, pois a grande necessidade de  expansão do mercado interno não era suficientemente abastecida pela indústria siderúrgica nacional, lembrando que o país asiático foi o que demonstrou maiores crescimentos em formação bruta de capital fixo em setores que predominam ouso do aço.
  • A partir de 2005, a China passou a ser superavitária nas exportações de aço o que pressionou ainda mais a indústria siderúrgica do país, pois diante de seus baixos custos de produção, por exemplo, a da mão de obra em excesso e legislações ambientais frouxas, além do câmbio extremamente competitivo a indústria passou a ter vantagens que possibilitaram os produtos de aço semi-acabados como bobinas chinesas, inundassem o mundo nos últimos anos em detrimento das industrias nacionais dos países.
Sendo assim o país além de apresentar elevado consumo interno, possui alto grau de abertura. Além disso, a China contou com grande participação de exportações de máquinas e produtos industriais, como por exemplo, automóveis que possuem grande participação de aço em sua composição.

Indústria Mineradora:
Características da Indústria Mineradora:

Como mostrado no inicio o minério de ferro principal commoditie utilizada na produção do aço. A concentração mínima de ferro necessária para produção do aço é de pelo menos 62%, com baixa quantidade de sílica e alumina, bem como características físicas adequadas como o tamanho do minério que deve ser distribuído de forma homogênea. 
O minério de ferro é um mineral abundante na superfície terrestre sendo possível encontrá-lo em diversos depósitos minerais, diferentemente de metais preciosos como o ouro e a platina. Entretanto, a qualidade do minério na maior parte dos depósitos não é adequada à exploração comercial (Calazans,2008). 
O minério pode ser adicionado aos fornos siderúrgicos em três formas: finos (sinter feed), granulados ou em pelotas (pellets).
  • Finos: possuem partículas menores que 4,75 milímetros de diâmetro, sendo este o motivo de precisarem ser submetidos ao processo de sinterização antes de serem introduzidos no alto-forno. Tal processo eleva a permeabilidade do minério introduzido com o objetivo de evitar perdas durante o processo, aumentar a permeabilidade da carga dentro do alto-forno e prevenir perdas de finos.
  • Granulados: possuem mais de 4,75 milímetros de diâmetro e podem ser adicionados diretamente nos fornos. Não há necessidade de processos para elevar a concentração de MFe. O minério de ferro em granulados possui maior produtividade nos fornos e por isso tem preço mais elevado.
  • Pelotas: são feitas a partir do minério super fino (pellet feed), via processo de pelotização, que o transforma em pequenas bolas com diâmetro entre 9,55 e 16,0 milímetros e que podem ser diretamente adicionadas no alto-forno ou em fornos de redução direta. O processo de pelotização possibilita que o minério adquira características físicas ideais para o processo siderúrgico e por isso são as que possuem maior produtividade e altamente valorizadas no mercado.
Apesar de o minério de ferro ser extremamente abundante na natureza, estima-se 800 bilhões de toneladas de minério bruto, mas apenas cerca de 230 do minério bruto é efetivamente ferro 2. No entanto, as reservas registradas de minério de ferro em sua forma bruta não chegam a 20% do total estimado.
  • Como é possível observar o Brasil, Austrália, China e Rússia apresentam grandes reservas de Mfe. No entanto, apenas os dois primeiros possuem reservas com altas concentrações. O MFe australiano possui teor de 64% e o brasileiro entre 53% e 60%. Sendo assim, os dois países vêm sendo os maiores produtores e exportadores de minério de ferro nos últimos anos.
Dentre os principais produtores de minério de ferro estão Austrália, Brasil, Índia e China que somaram em 2011 cerca de 72% de toda a produção de MFe mundial, 
  • No entanto, como apenas o Brasil e a Austrália possuem minério de ferro de boa qualidade é necessário que mesmos países que possuem grandes reservas da commoditie importem o produto. É o caso da China, Alemanha e Japão que aqueceram o mercado de minério de ferro que aqueceram o mercado de minério de ferro transoceânico nos últimos anos.
Como é possível observar houve um aumento expressivo do intercâmbio mundial de Minério de Ferro a uma taxa de 9% ao ano desde os anos 2000.Dessa forma, se o eixo principal de importação se tornou a Ásia, impulsionada principalmente pela crescente produção siderúrgica chinesa, o eixo principal de exportação do minério é dado pelo Brasil e pela Austrália que são os principais país exportadores de minério de ferro seguidos pela Índia.

Produção de aço brasileira é a 9ª no mundo

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O Minério de ferro e o crescimento dos BRICS

Presidenta Dilma Rousseff durante reunião dos Chefes de Estado e de Governo
dos BRICS  (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Los Cabos - México, 18/06/2012. 

O termo BRIC foi criado pelo economista Jim O’Neill, em 2001, mas ganhou força com o artigo “Dreaming with BRICs: The Path to 2050” dos economistas Dominic Wilson e Roopa Purushothaman (2003) do banco de investimento norte americano Goldman Sachs para referir-se aos quatro países que apresentarão maiores taxas de crescimento econômico até 2050 e ultrapassarão os G6 dentro desse período. Os países que compõe os BRICS são: Brasil, Rússia, Índia e China. Os países não compõem um bloco econômico, trata-se apenas de uma associação comercial e integram características semelhantes, dentre elas: PIB em crescimento, mão-de-obra, ainda que não qualificada, com alta disponibilidade, mercado consumidor em ascensão e disponibilidade de recursos naturais.
  • Nos últimos anos os BRICs foram os responsáveis pela manutenção do crescimento do PIB mundial uma vez que as economias desenvolvidas passaram por períodos de crise (tanto nos EUA com a crise subprime em 2008 e, mais recentemente, na Europa com a questão do elevado déficit público) e, portanto, um crescimento muito aquém do esperado para tais economias. Dessa forma, o entendimento de como se deu o crescimento destes países tornou-se foco tanto no meio acadêmico como no meio corporativo.
De acordo com Vieira e Verissimo (2008), um dos primeiros trabalhos publicados a respeito do tema crescimento econômico é o de Solow (1956) responsável por criar o modelo neoclássico de crescimento econômico e que lhe resultou em um prêmio Nobel em 1987.
  • Segundo Rodrigues (2004), o modelo de Solow propunha a acumulação de capital como o principal motor de crescimento econômico de curto prazo, de tal forma que o investimento, a medida que aumenta a capacidade produtiva, seria crucial ao crescimento econômico.
A teoria de crescimento baseado no modelo neoclássico seguiu ao longo não somente nos anos 50 e 60 com diversos autores além de Solow, como Swan (1956) e North (1974). Tais modelos tinham por base a chamada propriedade de convergência, cuja ideia era de que economias com níveis mais baixos de PIB per capita, maiores seriam as taxas de crescimento previstas, sendo essa propriedade associada ao suposto de retornos decrescentes do capital (Vieira e Verissimo, 2008). Uma visão mais simplificada desse modelo de crescimento surge com a afirmação de North (1974):
“O crescimento econômico significa essencialmente um aumento na produtividade, isto é, o que faz um país crescer e aumentar o seu bem estar é que ele produz mais produtos e serviços em termos per capita.”
Segundo Canuto, Higachi e Porcile (1999), três observações se mostraram inconsistentes com as predições do modelo neoclássico e, portanto, motivaram o surgimento de novas teorias de crescimento:A produtividade do trabalho e a renda per capita têm aumentado de modo permanente desde a revolução industrial. No entanto, essa teoria carecia de uma explicação para esse fato estilizado ao assumir que a mudança técnica é exógena, a teoria deixaria de explicar a real origem do progresso econômico, dessa forma, a solução seria endogenizar a mudança técnica;
  • De acordo com os modelos neoclássicos, há tendência de, em algum momento, haver convergência entre países ricos e pobres. No entanto, na análise de séries históricas há, na verdade, um aumento do gap da renda per capita entre os países ricos e pobres países. 
  • A falha se concentra em assumir que a oportunidade de progresso tecnológico é igual para os dois tipos de países, o que não é verdade;
  • A terceira crítica diz respeito à mobilidade de fatores de produção e diferenciais internacionais de remuneração que não seguem o padrão observado. 
Sendo assim, nos anos 80, a hegemonia do modelo de Solow perde espaço para modelos de crescimento endógeno que consistem em uma ampliação do modelo neoclássico.
  • Esse modelo assume que o crescimento ocorre devido a melhorias tecnológicas automáticas que ocorrem quando empresas desenvolvem novos e melhores produtos para maximizar seus lucros e não exógenas ao modelo como propunha Solow. A teoria busca compreender as forças econômicas que estão por trás do progresso tecnológico. Dessa forma, tanto o crescimento como a tecnologia são compreendidos como resultados endógenos da economia.
No modelo de Romer (1996), por exemplo, a tecnologia é determinada de forma endógena quando existe busca de novas ideias por pesquisadores que visam lucrar com tais invenções. Sendo assim, as inovações tecnológicas dependem da quantidade de pessoas envolvidas nessa busca e o nível de intensidade que essas o fazem.
  • O modelo proposto por Lucas (1988) também é exemplo dos modelos de crescimento endógeno da economia e que incorpora o capital humano. O modelo consiste em explicar a dinâmica de crescimento por meio da acumulação de capital humano, de modo que as diferenças nas taxas de crescimento entre os países são decorrentes primordialmente da intensidade com que ampliam as dotações desse fator ao longo do tempo (Aghion e Howitt,1999). De maneira prática, trabalhadores com mais estudo e habilidades, tendem a ser mais produtivos do que outros trabalhadores.
Um estudo empírico, baseado no modelo proposto por Lucas, é o de Barro e Sala-Martin (1995) que reuniram dados para mais de cem países na década de 60 a 90. O objetivo era demonstrar que a taxa de crescimento de um país seria positivamente afetada pelo nível de escolaridade e expectativa de vida, por menores gastos do governo, menores taxas de inflação, melhoria nos termos de troca e negativamente afetada pelo nível inicial do PIB per capita. Os resultados econométricos do estudo de Robert Barro, nomeado Inflação e Crescimento econômico, mostram que um aumento da inflação média em 10 pontos percentuais por ano implica em uma redução da taxa de crescimento do PIB real per capita de 0,2 a 0,3 pontos percentuais por ano e uma redução na relação investimento/PIB de 0,4 a 0,6 pontos percentuais. Porém esses resultados só demonstraram alta correlação quando incluída alta inflação na amostra. Por fim, Barro e Sala-I-Martin (1995) citam os efeitos de uma política monetária que mantém a taxa média de inflação em 10 pontos percentuais no longo prazo e observa que após 30 anos o PIB real viria a ser reduzido 4% a 7%, demonstrando a importância de uma política monetária com regime de meta inflacionária e, portanto, estabilidade de preços.
  • Existem outros estudos que dão ênfase ao grau de abertura como meio de explicar o crescimento do país. É o caso de Chang et all (2005) que obtiveram resultados positivos na regressão do PIB real em função da abertura comercial e outras reformas complementares. Tais reformas complementares podem ser exemplificadas pelo regime cambial, como mostrado no estudo empírico de Dubas et. al. (2005). Além da abertura comercial e do regime cambial, outros autores abordam a liberalização da conta de capital, que registra os empréstimos, investimentos diretos e aplicações financeiras provenientes do exterior.
A justificativa teórica para a liberalização consiste que essa levaria a melhoria na eficiência da alocação de recursos por meio de canais, resultando no crescimento econômico desses países, no longo prazo. No entanto, no estudo empírico não há evidências suficientes que provem o crescimento econômico a partir da liberalização da conta de capital.
  • Além desses fatores, a necessidade de investimentos nos processos de industrialização dos países em desenvolvimento impulsionou o comércio internacional de commodities. As matérias primas de extração mineral ou hard commodities, como o minério de ferro e o carvão, matéria prima para o aço, e o calcário, usado na produção de cimento, tiveram um elevado grau de importância uma vez que são produtos que tem grande representatividade no investimento e desenvolvimento econômico.
No presente trabalho, o objetivo inicial é identificar quais variáveis que influenciaram no crescimento econômico dos países que compõem os BRICs a partir de uma análise teórica de componentes macroeconômicos com a finalidade de justificar a demanda por commodities metálicas para o investimento em desenvolvimento aplicado à indústria siderúrgica, a qual os produtos são amplamente utilizados em investimento de infra-estrutura bem como em bens de capital, construção e automóveis. Para tal é necessário o entendimento da dinâmica de mercado tanto das commodities como da indústria siderúrgica, com grande participação no consumo de setores de construção e bens de capital.
  • Dessa forma, parte-se da hipótese de que o desenvolvimento dos BRICs exerceu influência significativa na demanda e nos preços do minério de ferro e que tal desenvolvimento pode servir como meio de determinar os preços do mesmo. A estrutura do trabalho está organizada de maneira que no capítulo 1 é realizado um breve histórico dos desafios enfrentados por cada um dos BRICs nas últimas duas décadas.

Metade da mão de obra contratada para as obras vem da região; Quando os projetos estiverem prontos, promessa é gerar 50 mil postos de trabalho
 (Porto de Açu)

Na ponta da ponte, em alto-mar, a temperatura supera os 30 graus. O forte vento reduz a sensação térmica, mas deixa o mar agitado. As primeiras pedras lançadas para a construção do quebra-mar já começam a aparecer na superfície e vão proteger os navios que chegarão no futuro porto que está sendo construído. Ao todo, serão lançados 1,8 milhão de metros cúbicos de blocos de pedras no mar, o equivalente ao morro do Pão de Açúcar. 
  • Quando estiver pronto, o porto acomodará dez berços de atracação. O calado natural de 15 a 18 metros já seria suficiente para navios Panamax, nas medidas que cruzam o canal do Panamá. Mas as obras de dragagem vão aumentar a profundidade para 25 metros, o que inclui a nova geração de meganavios Chinamax, com capacidade de carga de mais de 350 mil toneladas de minério, que hoje chegam apenas a poucos portos existentes no mundo.
A obra ‘Superporto do Açu’ começou no fim de 2007. Até sua conclusão, prevista para 2012, receberá investimentos de R$ 4,5 bilhões. Mas o porto e a estrutura para o transporte do minério serão uma migalha se comparados a todos os projetos sonhados pelo empresário para a região.

O Crescimento econômico dos Brics:

Em 2003 os economistas Dominic Wilson e Roopa Purushothaman publicaram no artigo “Dreaming with BRICs: The Path to 2050” com projeções que explicam a chegada dos BRICs entre as seis maiores economias do mundo nos próximos quarenta anos. Segundo os autores esses países virão a ser o motor de crescimento da demanda e de poder de consumo e esse fato poderia anular os fortes impactos do envelhecimento da população e lento crescimento das economias desenvolvidas. Apesar de serem os países com crescimentos significativos nos últimos anos cada país do BRIC apresenta diferentes características políticas e econômicas.
  • Embora todos os países sejam unidades federativas apenas Brasil e Índia são bem resolvidos democraticamente, o primeiro uma república presidencial e o segundo uma república parlamentar. A Rússia, apesar de declarar-se uma república democrática, segue com fortes traços de autoritarismo e a China segue uma república comunista marxista. A China que cresceu cerca de 650% entre 1988 a 2010, seguido pelo Brasil com desempenho irregular.
A Rússia, como é possível observar, apresentou um período de crise no inicio da década de 90 e tem se recuperado ainda que de maneira muito lenta. A Índia segue crescendo de modo significativo e regular com crescimento de 7% ao ano. Em comum os países possuem algumas mudanças sérias em suas respectivas estrutura econômicas seguidas por um aumento da participação do setor de serviços na economia.
  • A média de crescimento do PIB dos BRICS mostrou-se maior em quase todo o período analisado, com exceção do inicio da década de 90 diante do decréscimo do PIB brasileiro nos três primeiros anos da década e, principalmente, pelo PIB russo que em 1993 apresentou uma variação negativa de 14% em relação ao ano anterior. Já nos anos 2000 os BRICS mostraram desempenho muito acima do crescimento do PIB mundial apresentando queda apenas nos anos da crise mundial. No entanto, é importante observar que o grupo dos países não apresentou decréscimos do PIB e isso é justificado pelo excelente desempenho chinês que manteve o grupo com crescimentos positivos principalmente no ano de 2009.
Uma característica bastante comum dos países analisados é seu caráter exportador, no caso do Brasil, Rússia e Índia de commodities primárias e alguns produtos acabados. No entanto, o maior destaque é para as exportações dos produtos chineses, sendo responsáveis pelo crescimento da exportação do grupo. Dessa forma, é possível observar um aumento na participação dos países do BRIC nas relações de troca comercial mundial tanto referente à exportação como importação.
  • Importante ressaltar o crescimento da participação das importações chinesas no comércio internacional mundial (ver Tabela 2). Isso porque grande parte dos produtos importados pelo país são primários trazendo benefícios aos seus parceiros comerciais, como é o caso da relação entre Brasil e China, sendo o Brasil diretamente beneficiado pela exportação de minério de ferro aos chineses.
Outro importante indicador de crescimento econômico é a formação bruta de capital fixo que inclui investimentos tanto em construção civil como em bens de capital e que são setores que demandam elevada quantidade de consumo de aço e, por conseqüência, utilização de suas matérias primas.
  • Dentre os BRICS, os que apresentaram maior participação da formação bruta de capital fixo foram Índia e China com médias acima da média mundial no período analisado. A Rússia apresentou médias semelhantes enquanto o Brasil possui o menor dinamismo e com médias abaixo do mundo.

O minério de ferro viaja bruto em trens que podem ter 330 vagões e 3,5 quilômetros de extensão para ser exportado. Só 2% do que sai da mina de Carajás é comprado pelas siderúrgicas nacionais